Em debate com Fachin, Dino faz citações a Aristóteles, Chico César, Hobbes e Fábio Porchat
Coleção inusitada de referências marcou momento de discussão entre os ministros do Supremo Tribunal Federal em sessão que define se Moraes será ou não investigado por relação com Vorcaro

As intervenções do ministro Flávio Dino na sessão do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) que define se será ou não aberta uma investigação contra Alexandre de Moraes para apurar a relação entre o magistrado e o banqueiro Daniel Vorcaro foi repleta de referências de diferentes naturezas.
Durante a sessão nesta terça-feira (15), Dino fez referências cuja correlação é inusitada. O ministro citou nomes como Aristóteles, Thomas Hobbes, Chico César e Fábio Porchat.
Durante discussão com o presidente do STF, Luiz Edson Fachin, em um raro momento de relaxamento no clima tenso, Dino citou o filósofo grego. “A ironia serve para descontrair o ambiente, o senhor sabe bem disso. Aristóteles”, disse aos risos.
Na sequência do debate com Fachin, Dino citou o cantor e compositor paraibano Chico César para defender sua ideia de que, ao levar os casos do Master e do INSS ao plenário do STF, o presidente do Supremo incorreu em avocação.
“Vossa excelência é um homem probo, um homem digno, uma pessoa bem intencionada. Mas as pessoas bem intencionadas também erram. Há uma música famosa de Chico César sobre isso. E o que nos protege, a vossa excelência, a mim e a todos do erro? O colegiado e a lei”, declarou.
Logo após, foi a vez de Dino recorrer aos contratualistas modernos e, ainda na tese da avocação, citou o filósofo inglês Thomas Hobbes.
“Se um presidente de um tribunal pode destituir um relator, além de ser descabido à luz da Constituição, da Lei Orgânica da Magistratura Nacional, do Código de Processo Penal e do Regimento, o resultado é um desastre [...] É Hobbes, presidente, a guerra de todos contra todos”, declarou.
Por fim, distensionando novamente o debate, Dino questionou se Fachin assistiu ao ‘vídeo do Porchat’. A pergunta se refere a um vídeo gravado pelo ator e comediante Fábio Porchat em que ele interpreta um jornalista que já dorme vestido com as roupas de trabalho para não perder tempo durante a sequência de notícias notívagas que se tornaram comuns durante a atual crise vivida no STF.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.



