Relembre como foi a eleição para o Governo de Minas em 2022
De renúncia no Executivo a recorde de concorrentes: como o tabuleiro político mineiro se transformou drasticamente em quatro anos.

Em 2022, a disputa pelo Governo de Minas terminou logo no primeiro turno, com o então governador reeleito com folga. Quatro anos depois, o cenário é outro: o estado tem o maior número de candidaturas ao governo desde a redemocratização, o vencedor daquela eleição não chegou ao fim do mandato e apenas um dos seis principais nomes de hoje disputava o mesmo cargo naquele ano.
A reportagem relembra como foi aquela eleição, o que mudou desde então e onde estava cada um dos principais candidatos atuais. Os resultados citados são os apurados pela Justiça Eleitoral.
Zema venceu ainda no primeiro turno
O primeiro turno de 2022 foi em 2 de outubro. Romeu Zema, do Novo, foi reeleito com 56,18% dos votos válidos e não precisou de segundo turno, que exigiria que ninguém alcançasse metade dos votos mais um.
Em segundo lugar ficou Alexandre Kalil, então no PSD, com 35,08%. Ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-presidente do Atlético, Kalil tinha o apoio de Lula, que venceu a eleição presidencial daquele ano e também venceu em Minas.
Carlos Viana, do PL, ficou em terceiro com 7,23%. Ele fazia palanque para a tentativa de reeleição de Jair Bolsonaro. Os outros sete candidatos não chegaram a 1% cada, e a lista era aberta por Marcus Pestana, do PSDB, e Lorene Figueiredo, do Psol.
A chapa de Zema tinha como vice Mateus Simões, então filiado ao Novo, e reunia dez partidos na coligação Minas nos Trilhos: Novo, PP, MDB, Solidariedade, Podemos, Patriota, Avante, PMN, Agir e Democracia Cristã. A dupla recebeu mais de 6 milhões de votos.
O vencedor de 2022 não termina o mandato
Romeu Zema não completou o segundo mandato. Ele renunciou ao governo em 22 de março de 2026 para disputar a Presidência da República, e quem assumiu foi o vice, Mateus Simões, que havia deixado o Novo e se filiado ao PSD em 2025.
Pela legislação eleitoral, Simões está apto a disputar a reeleição, e é o que faz neste ano. Zema, por ter cumprido um mandato completo e sido reeleito, estava impedido de tentar um terceiro período consecutivo no Executivo estadual.
Os três mais votados de 2022 seguem na política, em disputas diferentes
Nenhum dos três primeiros colocados daquela eleição está fora do jogo em 2026, mas cada um disputa uma coisa distinta.
- Romeu Zema, o vencedor, agora quer a Presidência. Impedido de tentar um terceiro mandato consecutivo no Executivo estadual, renunciou ao governo em março para disputar o Planalto.
- Alexandre Kalil, o segundo colocado, tenta de novo o mesmo cargo. É o único dos seis principais candidatos deste ano que também disputava o governo em 2022. Deixou o PSD e concorre agora pelo PDT.
- Carlos Viana, o terceiro colocado, voltou para o Senado. Ele já era senador quando disputou o governo em 2022, eleito em 2018, e não precisou deixar a cadeira ao perder. Agora tenta a reeleição, entre os 17 candidatos que disputam as duas vagas mineiras na Câmara Alta.
Onde estavam, em 2022, os candidatos de 2026
- Mateus Simões (PSD): era candidato a vice-governador na chapa de Zema, pelo Novo, e foi eleito. Antes, entre 2020 e 2022, tinha sido secretário-geral do governo mineiro. Assumiu o governo em março deste ano e agora disputa a eleição como titular.
- Alexandre Kalil (PDT): disputava o mesmo cargo em 2022, pelo PSD, e ficou em segundo lugar. É o único dos seis nessa situação.
- Cleitinho Azevedo (Republicanos): não disputava o governo. Concorria ao Senado pelo PSC e foi eleito com 41,52% dos votos, o equivalente a 4.268.193 eleitores. Antes, tinha sido vereador em Divinópolis e deputado estadual. Como o mandato de senador vai até 2031, disputa o governo sem abrir mão da cadeira.
- Gabriel Azevedo (MDB): era vereador em Belo Horizonte, onde chegou a presidir a Câmara Municipal. Curiosamente, o MDB integrava em 2022 a coligação que reelegeu Zema, o mesmo grupo político que Gabriel Azevedo enfrenta agora.
- Flávio Roscoe (PL): não era candidato em 2022. Presidia a Federação das Indústrias de Minas Gerais, a Fiemg. Em março deste ano ainda aparecia em pesquisas sem partido, e se filiou ao PL para a disputa.
- Patrus Ananias (PT): ex-prefeito de Belo Horizonte, tem trajetória nos poderes Executivo e Legislativo. Foi o último dos seis a ter a candidatura definida.
O que muda em 2026
A eleição deste ano tem 11 candidaturas registradas ao governo, o maior número desde a redemocratização, contra dez em 2022. O primeiro turno é em 4 de outubro, e um eventual segundo turno seria em 25 de outubro. O mandato vai de 6 de janeiro de 2027 a 6 de janeiro de 2031.
Minas tem mais de 16 milhões de eleitores e é o segundo maior colégio eleitoral do país.
Como está a disputa
Pesquisa Datafolha divulgada em 21 de agosto, a primeira do instituto para o governo mineiro em 2026, mostra Cleitinho Azevedo na liderança do cenário estimulado de primeiro turno, com 32% das intenções de voto. Alexandre Kalil e Patrus Ananias aparecem empatados na segunda colocação, ambos com 12%.
Em seguida vêm Flávio Roscoe, Mateus Simões e Gabriel Azevedo, com 4% cada. As demais candidaturas somam 2% ou menos. Brancos, nulos e nenhum reúnem 14%, e 13% dos entrevistados não souberam responder.
O levantamento ouviu 1.204 eleitores entre 18 e 20 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número MG-00446/2026. Foi contratado pelo próprio instituto e pela Globo.
Vale a comparação: em 2022, Zema venceu com 56,18% já no primeiro turno. O líder das pesquisas em 2026 aparece hoje com pouco mais da metade desse percentual.
Jornalista formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Atuou com produção de conteúdo editorial e cobertura de pautas voltadas a tecnologia, negócios e comportamento digital. Cobre as eleições de 2026 para a Itatiaia.



