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Moraes e caso Master: PL mira impeachment de ministros; PT defende investigação

Grupos políticos de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagem de maneiras distintas às revelações sobre o ministro Alexandre de Moraes no caso Master, impactando a corrida eleitoral

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Flávio Bolsonaro e Lula durante eventos no Rio de Janeiro
Flávio Bolsonaro e Lula durante eventos no Rio de Janeiro • Mauro Pimentel e Pablo Porciuncula / AFP

Aliados de Flávio Bolsonaro (PL) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lideram as pesquisas de intenções de voto para a Presidência, estão calibrando suas reações às menções ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em um novo relatório sobre o caso Master. O cenário ocorre em Brasília e ganha destaque no período pré-eleitoral.

As revelações envolvendo o ministro Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro foram rapidamente incorporadas ao discurso da oposição. Para os aliados de Flávio, o episódio oferece combustível para ampliar críticas ao ministro e a outros integrantes da Corte.

A estratégia do PL consiste em reforçar o apelo pela eleição de uma bancada de senadores de direita, que estaria disposta a avançar com o impeachment de ministros do Supremo a partir de 2027. A avaliação é de que a insatisfação de parte do eleitorado pode ser convertida em votos para seus candidatos.

Flávio Bolsonaro e seu entorno consideram a disputa pelo Senado uma das principais frentes da campanha. A mensagem ao eleitor é que não basta eleger um presidente da República de direita para alterar a correlação de forças com o Supremo. Seria necessário também ter maioria na Casa Alta (Senado).

A abertura de um processo de impeachment depende da pauta do presidente do Senado. Historicamente, pedidos nesse sentido jamais avançaram. Contudo, uma bancada maior e alinhada à direita, na avaliação dos oposicionistas, aumentaria o custo político de ignorar essas iniciativas e daria mais força ao tema dentro do Congresso.

Nesta terça-feira (1º), parlamentares reforçaram os pedidos de impeachment contra o ministro Moraes, com outro ofício agora na fila. Além disso, Flávio e seus aliados pediram a renúncia de Moraes de sua cadeira no Supremo.

'Doa a quem doer'

Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes • Arquivo
Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes • Arquivo

Em outra frente, a estratégia dos aliados de Lula é manter o discurso de que as investigações precisam seguir acontecendo "doa a quem doer". Essa narrativa tem sido adotada para inquéritos que envolvem o entorno do presidente. Petistas afirmam que o mandatário concede autonomia para a Polícia Federal (PF) apurar.

Paralelamente, o QG de Lula pretende usar a retirada de sigilo da ação sobre Moraes para cobrar o ministro André Mendonça, do STF, que faça o mesmo com o inquérito sobre o “Dark Horse”. Como a CNN mostrou, Flávio enviou um áudio a Vorcaro pedindo dinheiro para financiar a cinebiografia sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Pessoalmente, o presidente Lula tem sido aconselhado a manter distância da queda de braço entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. A avaliação no governo petista é de que o embate representa uma crise interna do Poder Judiciário, e não cabe ao presidente da República se envolver.

Dirigentes petistas lembram, ainda, que Mendonça é relator de investigações contra o empresário Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Por isso, não seria adequado ao presidente se posicionar contra o magistrado.

Apesar de tudo, a avaliação no governo petista é de que se tornou inevitável que o episódio contamine o processo eleitoral e reforce a bandeira da oposição em relação às críticas ao Supremo Tribunal Federal.

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