Domingos Sávio pede impeachment de Moraes do STF e cobra Senado: 'Inaceitável'
Candidato do PL ao Senado cobrou que a presidência da Casa dê andamento aos pedidos de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)

O deputado federal Domingos Sávio (PL), candidato ao Senado em Minas Gerais, informou que protocolou um novo pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF). A solicitação ocorre em meio à investigação da Polícia Federal que revelou bastidores da relação de Moraes com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
"Está provado que Alexandre de Moraes, que dizia não ter nenhum envolvimento, nem com contrato, nem com Vorcaro, estava totalmente envolvido com Daniel Vorcaro, que fez contatos com eles dos mais diversos, pedindo inclusive a interferência para que a Polícia Federal e a Procuradoria Geral da República parassem as investigações", afirmou Sávio, em entrevista concedida à Itatiaia nesta quarta-feira (2).
"Veja a que ponto chegou. Um juiz da Suprema Corte fazendo obstrução à Justiça e protegendo bandido. É inaceitável isso. Então eu protocolei, sim, mais um pedido de impeachment", complementou.
Cobrança ao Senado
O deputado também fez cobranças ao Senado para votar os pedidos de impeachment contra o ministro. Na visão dele, falta uma "atitude dura" dos senadores em relação ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que não coloca os pedidos na pauta.
"Eu entendo que o Senado já deveria ter tomado a seguinte posição com Davi Alcolumbre: obstruir tudo, parar tudo, não votar nada, pressionar. Porque quando você pergunta para os senadores, eles falam que são a favor do impeachment, mas não tomam uma atitude dura de parar o funcionamento do Senado para que seja priorizado o impeachment", sugeriu.
Entenda o caso
Nessa terça-feira (1°), o jornal Estado de S. Paulo revelou que Alexandre de Moraes editou a última versão do contrato de R$ 131,2 milhões firmado entre o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o extinto Banco Master, de Daniel Vorcaro. A informação foi obtida a partir de dados do celular de Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal (PF) em novembro do ano passado, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero.
Os metadados são dados técnicos preservados em arquivos digitais, que registram informações como autor, horário e alterações realizadas. De acordo com os investigadores, os registros no celular do ex-banqueiro mostram que uma versão do contrato foi aberta e modificada no Office 365 por um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
Segundo a investigação, Viviane teria encaminhado a minuta do contrato diretamente ao celular de Vorcaro em 11 de janeiro de 2024. Quatro dias depois, o ex-banqueiro devolveu o arquivo pelo WhatsApp com marcas de revisão. Na mensagem, Vorcaro pediu que o documento fosse analisado e informou que havia incluído uma cláusula.
O arquivo foi posteriormente modificado pelo perfil identificado com o nome do ministro. Na mesma versão do documento, Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório Barci de Moraes, também aparece como autor.
O contrato previa o pagamento de honorários durante três anos. Seriam 36 parcelas mensais e consecutivas de R$ 3 milhões líquidos, totalizando R$ 108 milhões. Uma cláusula estabelecia que os honorários seriam livres de impostos. Com a tributação, cada parcela teria valor bruto de aproximadamente R$ 3,64 milhões, levando o custo total do contrato para R$ 131,27 milhões.
Documentos fiscais do Banco Master enviados à CPI do Crime Organizado, no Senado Federal, indicaram que o escritório de Viviane ainda recebeu R$ 80,2 milhões da instituição financeira entre 2024 e 2025. Os pagamentos foram interrompidos após a prisão de Daniel Vorcaro, em novembro de 2025.
O escritório confirmou ao Estadão que Moraes teve acesso ao contrato e realizou alterações. De acordo com eles, o ministro foi consultado pela área de compliance para verificar se havia algum impedimento legal para que o escritório fosse contratado pelo Banco Master.
O escritório afirma que não havia impedimento porque Moraes nunca julgou uma causa envolvendo o banco e que os serviços jurídicos foram efetivamente prestados. O ministro não se manifestou diretamente.
Nuno Krause é repórter de política da Rádio Itatiaia. Antes, ficou dois anos no portal Itatiaia Esporte. Formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), acumula passagens também por Bahia Notícias, Jornal A TARDE e Rádio Salvador FM.



