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Conheça a carreira política de Patrus Ananias, pré-candidato ao Governo de Minas

O deputado federal desponta como o nome escolhido pela direção petista para concorrer ao Palácio Tiradentes nas eleições de 2026

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Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O deputado federal Patrus Ananias representará o PT nas eleições gerais deste ano, concorrendo pela primeira vez ao Governo de Minas Gerais e compondo o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado.

A definição ocorreu na última quinta-feira (16), após o PT enfrentar um longo período de indecisão e dificuldades para viabilizar outros nomes, entre eles o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB) e a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT). Patrus deve garantir ao presidente um palanque próprio em Minas Gerais, um dos maiores e mais importantes colégios eleitorais do país.

O anúncio oficial estava previsto para esta segunda-feira (20) em Belo Horizonte durante uma coletiva de imprensa, mas foi cancelada pelo PT. A reunião entre dirigentes, deputados estaduais e federais foi mantida, e o resultado foi comunicado oficialmente pelo site e pelas redes sociais do PT-MG.

Patrus é natural de Bocaiúva, no Norte de Minas, mudou para Belo Horizonte aos 20 anos e formou em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Também concluiu especialização em Poder Legislativo e mestrado em Direito Processual.

A aproximação com a política ocorreu durante a juventude, quando Patrus participou do movimento estudantil e das mobilizações contra a ditadura militar. Posteriormente, atuou como advogado de sindicatos e de organizações ligadas aos trabalhadores.

Filiado ao PT desde os primeiros anos da legenda, disputou pela primeira vez um cargo eletivo em 1988. Foi eleito vereador de Belo Horizonte naquele ano e participou da elaboração da Lei Orgânica do município, além de presidir a Comissão de Legislação e Justiça da Câmara Municipal.

Em 1992, Patrus foi eleito prefeito de Belo Horizonte e comandou a capital entre 1993 e 1996. A administração implantou o Orçamento Participativo, modelo pelo qual moradores participavam da definição de prioridades para os investimentos municipais.

A gestão também criou políticas de segurança alimentar que se tornariam uma das principais marcas de sua carreira. Entre as iniciativas estiveram a implantação do Restaurante Popular e a estruturação de programas destinados a combater a fome e a desnutrição.

Patrus também criou uma secretaria municipal voltada especificamente à segurança alimentar. Parte das experiências desenvolvidas em Belo Horizonte seria posteriormente levada para o governo federal quando, em 2002, foi eleito deputado federal por Minas Gerais. Pouco depois, porém, ele deixou temporariamente o Legislativo para integrar o governo do então presidente Lula.

Em janeiro de 2004, Patrus assumiu o recém-criado Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Permaneceu no cargo até março de 2010, durante os dois primeiros mandatos de Lula.

À frente do ministério, participou da estruturação e consolidação do Bolsa Família, que reuniu diferentes programas federais de transferência de renda. Também coordenou políticas de segurança alimentar, assistência social e combate à pobreza.

Patrus deixou o Ministério do Desenvolvimento Social em 2010 para participar das eleições em Minas Gerais. Ele foi candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo então senador Hélio Costa, do MDB, derrotada no primeiro turno por Antonio Anastasia, do PSDB, que foi reeleito governador. Após o resultado, Patrus retomou a atuação acadêmica e partidária.

Mas nas eleições de 2012, Patrus voltou a concorrer à Prefeitura de Belo Horizonte, após o rompimento da aliança entre PT e PSB na capital. O pré-candidato recebeu cerca de 40% dos votos válidos, mas foi derrotado no primeiro turno pelo então prefeito Márcio Lacerda, do PSB, que conquistou a reeleição com aproximadamente 54%.

Patrus voltou à Câmara dos Deputados após ser eleito nas eleições de 2014. No início do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, licenciou-se novamente do cargo parlamentar para assumir o Ministério do Desenvolvimento Agrário. No ministério, atuou em políticas voltadas à reforma agrária, à agricultura familiar, à produção de alimentos e ao desenvolvimento das comunidades rurais.

Ele reassumiu o mandato de deputado em abril de 2016, durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Desde então, foi reeleito para a Câmara em 2018 e em 2022.

No atual mandato, iniciado em 2023, Patrus integra a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e comissões relacionadas à educação, à segurança pública e à fiscalização dos impactos provocados pelo rompimento de barragens. Também exerce a função de vice-líder da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.

Principais propostas de Patrus

O combate à fome e à desigualdade social permanece como uma das principais bandeiras de Patrus. Ele considera a alimentação adequada o primeiro passo para que a população consiga acessar outros direitos, como saúde, educação, trabalho e moradia.

Na área social, defende o Sistema Único de Assistência Social, os programas de transferência de renda, os restaurantes populares e as políticas de segurança alimentar. Patrus também levanta a bandeira da valorização do serviço público, a ampliação dos investimentos em educação e saúde e uma presença mais ativa do Estado no combate às desigualdades entre as regiões mineiras.

A experiência no Ministério do Desenvolvimento Agrário fez com que Patrus incorporasse à trajetória política a defesa da agricultura familiar, da reforma agrária e da produção sustentável de alimentos.

Ele sustenta que o governo estadual deve oferecer assistência técnica, crédito, infraestrutura e apoio à comercialização para pequenos agricultores, além de políticas de proteção às comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas.

Patrus costuma criticar a exploração mineral sem fiscalização adequada e defender maior responsabilidade das empresas pelos impactos sociais e ambientais da atividade.

O petista defende um modelo de desenvolvimento que combine crescimento econômico, geração de empregos e redução das desigualdades. Para ele, o Estado deve estimular investimentos produtivos sem abandonar políticas públicas destinadas às populações mais vulneráveis.

Outro eixo é a participação popular. A experiência do Orçamento Participativo em Belo Horizonte é apresentada como referência para aproximar o governo da população e permitir que as comunidades ajudem a definir prioridades para os investimentos.

 

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Jornalista pela PUC Minas. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público.

 

 

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