PL rejeita acordo e planeja impeachment de Moraes e Dino em 2027
A decisão vem após o entorno do candidato Flávio Bolsonaro interpretar sinais do STF sobre um possível acordo envolvendo a revisão da prisão de Jair Bolsonaro e anistia para os condenados pelo 8 de janeiro

O PL (Partido Liberal) rejeita o que considerou acenos da ala governista do Supremo Tribunal Federal (STF) para um eventual "acordão" político e deverá levar adiante, em 2027, processos de impeachment contra os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino. A ação contra Dino dependerá da forma como ele reagirá a uma eventual derrota de Lula nas urnas.
Ao longo desta segunda-feira, o entorno do candidato Flávio Bolsonaro entendeu que houve alguns acenos por parte desse grupo do STF, sinalizando a possibilidade de um acordo que envolva poupar ministros do Supremo em troca, por exemplo, da revisão da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e do aceite pela Corte da anistia aos condenados pelo 8 de janeiro.
A defesa do ex-presidente protocolou um novo pedido de revisão criminal, e o relator, ministro Kassio Nunes Marques, sinalizou que pretende pautar o processo após o segundo turno. Essa discussão vem à tona enquanto o ministro Moraes se reúne com defesa para decidir sobre prisão domiciliar em Brasília.
Mas o gesto considerado inicial nesse sentido de estabelecer pontes foi a mensagem divulgada pelo ex-presidente Michel Temer, manifestando apoio a Flávio Bolsonaro antes mesmo que os demais partidos e candidatos à Presidência derrotados o fizessem. Temer é o responsável pela indicação de Moraes ao STF em 2017 e é o elo político entre Moraes e a família Bolsonaro.
O PL, porém, rejeita qualquer acordo e diálogo com Moraes. Há uma preferência no partido de que o assunto "Moraes" seja resolvido pelo próprio STF — uma abertura de investigação contra ele por sua relação com Daniel Vorcaro e consequente afastamento enquanto durarem as investigações.
Mas há também a leitura de que o perfil combativo do ministro Moraes deverá ser mantido, e restará ao PL abrir processo de impeachment no Senado em 2027. Nas contas do partido, já há garantidos quarenta e nove votos pelo impeachment de Moraes, e faltariam apenas mais cinco para compor o número mínimo necessário de cinquenta e quatro votos.
A legenda também mira o impeachment do ministro Flávio Dino, a depender da forma como ele deverá atuar se confirmada nas urnas a vitória de Flávio Bolsonaro.
O entendimento é de que, se ele resolver avançar em investigações como a interferência estrangeira nas eleições brasileiras como pretexto para questionar o resultado eleitoral ou se mantiver investigações sigilosas sobre eventuais irregularidades na utilização de emendas parlamentares, também entrará no foco do PL.
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