Em recado a Nunes Marques, Gilmar Mendes comenta atuação do TSE no 2º turno e diz que 'silêncios e hesitações não são neutros'
Rusga entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ganha novo capítulo com comentário feito por Gilmar em seu perfil no X; o magistrado não cita Nunes Marques, mas faz referência crítica à presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por ele ocupada

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), usou sua conta no X para comentar a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante o segundo turno das eleições deste ano e fez críticas veladas ao comando da corte, que ficou ao cargo do colega de toga Kássio Nunes Marques, também integrante do STF.
Na madrugada desta terça-feira (3), Mendes escreveu um texto nas redes sociais dizendo que o colegiado do TSE assegurou a realização da eleição dentro das regras democráticas e disse que “silêncios e hesitações” não são neutros na condução de órgãos como a instância máxima da Justiça Eleitoral.
“As eleições de 2026 evidenciaram a correção da antiga lição de que as instituições de Estado são maiores do que os membros que as ocupam. Foi o colegiado do Tribunal Superior Eleitoral que assegurou que a disputa transcorresse dentro das regras do jogo democrático. A institucionalidade, entretanto, não deveria precisar ser resgatada a cada eleição. De quem está na condução do órgão que organiza o pleito espera-se a postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe. Na condução de órgãos de elevada importância, um aspecto precisa ficar claro: silêncios e hesitações não são neutros. Podem abrir espaço para decisões contraditórias, levar outras instâncias a suprir, pelas vias próprias, o que poderia ter sido resolvido desde a origem e servir de pretexto a quem insiste em atacar um sistema eleitoral íntegro e confiável. Desta vez, a colegialidade cumpriu seu papel. A solidez do processo eleitoral, contudo, não pode depender apenas da força do colegiado”, escreveu Gilmar Mendes.
A votação de segundo turno das eleições gerais de 2026 foi envolta em polêmicas causadas por denúncias e pedidos das campanhas dos então presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Justiça Eleitoral. Ambas as campanhas pediram a prorrogação da votação por duas horas, os petistas por apontar insuficiência no transporte público em capitais governadas por adversários políticos e os bolsonaristas em função das fortes chuvas ocorridas no Sul do país.
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques não deu uma resposta imediata aos pedidos ocorridos no início da tarde do domingo (25) de votação. Sem uma definição da corte até os momentos finais do período estipulado para o funcionamento das urnas, até as 17h. Nos minutos finais, o ministro do STF Cristiano Zanin atendeu ao pedido da campanha petista e prorrogou a votação em duas horas.
Como a medida foi tomada nos estertores da votação, a maioria das urnas já havia sido fechada. Segundo dados do TSE, apenas 34 mil votos foram computados durante as duas horas de prorrogação do pleito. Ainda assim, a medida de Zanin foi usada na argumentação de Flávio Bolsonaro e seus aliados ao apontar uma suposta fraude eleitoral na disputa vencida por Lula com mais de 4 milhões de votos de margem.
O comentário feito por Gilmar Mendes nesta terça acirra ainda mais a rixa dentro do STF e a rusga particular entre ele e Nunes Marques. A cisão ganhou contornos explícitos com a discussão sobre a possível investigação do ministro Alexandre de Moraes pelas suspeitas de envolvimento no Caso Master.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.



