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Presidente do PL em Minas critica campanha de boicote a petistas: 'Não podemos permitir a derrota da nossa convivência'

O deputado federal Zé Vítor usou as redes sociais para criticar os movimentos que pedem o boicote a comerciantes e trabalhadores petistas após a vitória de Lula na eleição presidencial; 'Uma coisa é perder a eleição. Outra coisa mais grave é perder nossa capacidade de nos respeitarmos uns aos outros', disse.

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Deputado federal Zé Vitor, presidente do PL em Minas Gerais • Kayo Magalhaes / Câmara dos Deputados

O deputado federal reeleito e presidente do PL em Minas Gerais, Zé Vítor, se manifestou contra os movimentos que pedem o boicote a empresas e trabalhadores que apoiaram a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial. Em seu perfil no Instagram, o parlamentar, que atuou na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), falou em tom conciliador para pregar o respeito aos eleitores de ambas as partes que disputaram o Palácio  do Planalto.

 

Zé Vítor se disse revoltado, triste, decepcionado e frustrado pela derrota de Flávio Bolsonaro e ainda afirmou ter críticas à forma como Lula usou a caneta presidencial para conceder auxílios e ampliar programas sociais durante a campanha de segundo turno. No entanto, fez um apelo para que seus aliados enxerguem os brasileiros como ‘pessoas e não eleitores’.

 

“Uma coisa é perder a eleição. Outra coisa mais grave é perder nossa capacidade de nos respeitarmos uns aos outros. Nós não podemos permitir que a vitória de um ou a derrota de outro se transforme na derrota da nossa convivência. Aqui interessa um país onde os vizinhos não conversam, onde os amigos não conseguem conviver, onde a família se afasta por causa de políticos. E olha que eu sou um agente político. Dividir para dominar é uma estratégia muito antiga e a gente não pode cair nessa armadilha. Meu candidato acerta sempre? Não. O seu candidato erra sempre? Não. E desde quando votar diferente autoriza alguém a humilhar ou condenar moralmente outra pessoa? Convicção não é licença para crueldade e respeito não é sinal de fraqueza. Eu quero defender minhas ideias, vencer debates, quero convencer pessoas, mas eu quero fazer isso também pelo exemplo. Pela gentileza, pelo respeito ao suor de quem trabalha, pela atenção a quem precisa, pelo esforço para educar meus filhos, pelo meu esforço para honrar compromisso, para pagar boleto, sem perder honestidade. Não quero que minha nação se transforme naquilo que eu tanto condeno”, disse o parlamentar. 

 

O deputado se refere a uma série de listas divulgadas nas redes sociais em diferentes cidades brasileiras identificando comerciantes e profissionais liberais que declararam voto em Lula na eleição presidencial e orientando bolsonaristas e não solicitar mais os serviços dos adversários eleitorais.

 

O endosso ou a condenação dos movimentos de boicotes dividem apoiadores de Flávio Bolsonaro. Nomes como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) já se manifestaram a favor da estratégia. Por outro lado, os irmãos gêmeos Gleidson e Cleitinho Azevedo, deputado federal e governador eleitos pelo Republicanos-MG, respectivamente, condenaram a atitude.

 

Zé Vítor encerrou seu vídeo criticando os boicotes citando que seus filhos já ouviram de pais de colegas que o pai era uma pessoa ruim, apenas por divergências políticas. Ele refletiu sobre a criação das crianças e a contribuição para um país pacificado.

 

“Não basta educar nossos filhos para se proteger de um mundo cruel. A gente precisa ensinar a não contribuir com a sua crueldade. Bora sacudir essa poeira, bora levantar a cabeça, bora para a frente. Nós temos muito trabalho para fazer para o Brasil inteiro, o Brasil inteiro para cuidar. A política precisa melhorar, a justiça isso precisa melhorar muito. Mas nós também precisamos. O Brasil não precisa de pessoas que pensem todos da mesma maneira. Precisa de pessoas que mesmo pensando diferente, ainda saibam viver juntos como brasileiros, como nação e a gente vai vencer juntos”, afirmou o parlamentar.

 

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

 

 

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