'Nem eu nem o PL podemos dizer que houve fraude nas eleições', diz chefe de campanha de Flávio Bolsonaro após divulgação de carta
Senador Rogério Marinho classificou carta de Flávio como um 'desabafo' e afirmou que nem ele nem o PL podem sustentar a acusação. O filho de Bolsonaro perdeu o segundo turno para Lula, que recebeu 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do candidato do PL

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, afirmou nesta quarta-feira (28) que não há provas para sustentar a alegação de fraude nas eleições de 2026.
A declaração contrasta com o conteúdo de uma carta divulgada por Flávio, na qual o senador questiona o resultado do segundo turno e acusa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de ter sido beneficiado por irregularidades.
“Eu não posso fazer essa afirmação, não tenho provas e eu acabei de dizer que é um desabafo de alguém. Suponho que seja desabafo de alguém que está se sentindo injustiçado”, declarou Marinho a jornalistas no Senado.
O parlamentar também afirmou que as acusações precisam ser acompanhadas de evidências. “Agora é evidente que, se você faz alguma afirmação, você precisa trazer provas”, disse.
A declaração foi dada após Flávio viajar para os Estados Unidos. Na carta, o senador se apresenta como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e afirma que houve fraude eleitoral no segundo turno, realizado no domingo (25).
O documento também questiona a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que estendeu o horário de votação em duas horas. Segundo Flávio, a medida teria permitido que Lula ampliasse sua votação em mais de 10 milhões de votos em relação ao primeiro turno. As alegações, no entanto, não foram acompanhadas de provas.
Versões diferentes da carta
Ao menos quatro versões do documento circularam. Apenas as duas últimas foram publicadas pelo próprio senador. Os arquivos tinham o mesmo conteúdo, mas apresentavam diferenças nos brasões utilizados.
Nas versões iniciais, Flávio afirmava que se dirigia aos brasileiros e à comunidade internacional como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Posteriormente, a abertura foi alterada para substituir essa expressão por “líder do Brasil”.
Na carta, o senador também acusa o STF de perseguição política e afirma que pretende liderar a oposição brasileira a partir dos Estados Unidos.
Flávio perdeu o segundo turno para Lula, que recebeu 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do candidato do PL.
Jornalista com trajetória na cobertura dos Três Poderes. Formada pelo Centro Universitário e Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb), atuou como editora de política nos jornais O Tempo e Poder360. Foi finalista do Prêmio CNT de Jornalismo em 2025. Atualmente, é coordenadora de conteúdo na Itatiaia.



