Itatiaia

PT e parlamentares pedem investigação nacional sobre listas de boicote a eleitores de Lula

A legenda pede à PF e à PGR a investigação sobre listas que circulam em municípios de oito estados brasileiros que incentivam demissões de trabalhadores e boicotes a comerciantes por causa do voto petista; procuradores alertam que discriminação emprego por convicção política pode gerar indenização por danos morais

Por, Brasília
Aliado de Lula, deputado Paulo Pimenta informa que base articula relatório próprio para confrontar relator da CPMI • Câmara dos Deputados

O Partido dos Trabalhadores (PT), por meio do líder do governo na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (PT-RS) e outros deputados federais, acionou nesta terça-feira (27) a Procuradoria-Geral da República (PGR), a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) para pedir uma investigação nacional sobre listas que incentivam boicotes a estabelecimentos comerciais e demissões de trabalhadores identificados como eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo o partido, as listas começaram a circular entre a noite de domingo (25), após o segundo turno das eleições, e hoje, em municípios de pelo menos oito estados do país. Os materiais apresentam nomes de comerciantes, profissionais autônomos e trabalhadores, organizados por cidade ou ramo de atividade.

A legenda aponta um padrão entre os materiais, que organizam nomes de estabelecimentos e profissionais por cidade e ramo de atividade, repetem títulos e bordões e convocam usuários a contribuir com novas informações e compartilhar as relações. Inclusive, com a colaboração de agentes políticos com grande alcance nas redes sociais para amplificar as iniciativas com campanhas pela demissão ou pela não contratação de pessoas consideradas de esquerda.

A colunista da Rádio Itatiaia, Edilene Lopes, publicou que o Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 400 denúncias em 48 horas relacionadas a ameaças de demissão e discriminação em processos de contratação por preferência eleitoral.

O ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais Jarbas Soares Júnior alertou na coluna que dispensar um funcionário por sua convicção política pode configurar assédio eleitoral e resultar em indenização por danos morais, além do pagamento das verbas rescisórias previstas em lei.

Investigação sobre ação coordenada

No documento, é solicitada a investigação de uma coordenação entre os responsáveis, produção centralizada dos conteúdos e eventual financiamento por estruturas político-eleitorais, isso porque em um dos casos a lista foi enviada em um grupo criado para mobilizar a campanha eleitoral.

A notícia de fato compara o mecanismo de exposição pública e retaliação econômica a episódios históricos de perseguição. Entre os exemplos estão o boicote nacional a estabelecimentos judaicos promovido pelo regime nazista, em 1933, e listas de trabalhadores utilizadas durante a ditadura militar brasileira, em práticas de colaboração entre empresas e órgãos de repressão.

Para o PT, as listas podem atingir a liberdade de convicção política, o sigilo do voto, o pluralismo político e a proibição de discriminação.

O documento pede que as autoridades apurem os possíveis crimes de:

  • Perseguição e ameaça, pela exposição reiterada de pessoas e pela intimidação;
  • Incitação ao crime, quando houver estímulo público à violência ou a outras práticas criminosas;
  • Crimes contra a organização do trabalho, incluindo constrangimento ao exercício profissional e boicotagem violenta;
  • Discriminação por procedência nacional, diante de mensagens contra trabalhadores vindos de determinadas regiões do país;
  • Coação eleitoral, caso ameaças tenham sido usadas antes da votação para pressionar eleitores;
  • Associação criminosa e tratamento ilícito de dados pessoais sensíveis, pela possível coordenação das listas e divulgação de informações sobre opiniões políticas.

O documento também propõe canais específicos para as vítimas denunciarem, assegurando o sigilo.

Partido faz pedidos específicos aos órgãos

À PF foi solicitado a abertura de inquérito de alcance nacional para identificar os autores das listas, os primeiros responsáveis pela divulgação, administradores comuns a diferentes grupos, possível existência de financiamento ou coordenação política, a preservação de publicações e registros digitais, a comparação dos materiais que circularam nos diferentes estados e a reunião de informações de investigações já iniciadas pelas polícias civis e pelos Ministérios Públicos estaduais.

À PGR foi pedido a apuração criminal e eleitoral, além do encaminhamento de informações à Autoridade Nacional de Proteção de Dados.

Ao Ministério Público do Trabalho foi requerido medidas contra demissões, recusas de contratação e outras formas de discriminação por convicção política, inclusive a avaliação de procedimentos de alcance nacional e de ações civis públicas.

 

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Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.

 

 

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