Itatiaia

Deputada aciona polícia após suposta perseguição a trabalhadores que votaram em Lula

Leninha (PT-MG) pediu a apuração das denúncias e a realização de diligências para identificar os responsáveis pelas mensagens e publicações que circulam nas redes sociais

Por
Guilherme Bergamini / ALMG.

A deputada estadual Leninha (PT-MG), vice-presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e presidente estadual do PT, acionou a Polícia Civil (PCMG) para investigar uma suposta onda de perseguições e retaliações de patrões contra funcionários que teriam votado no presidente Lula (PT) no último domingo (25).

A parlamentar alega ter recebido diversos relatos de trabalhadores que tiveram seus nomes expostos em listas divulgadas nas redes sociais. A Itatiaia teve acesso a algumas dessas mensagens. Nos textos, além de profissionais, também são divulgados nomes de estabelecimentos que supostamente "apoiariam o PT" e que, por isso, não deveriam mais ser visitados. Em outros materiais, é divulgada uma vaga de emprego com a exigência de que o candidato não tenha votado no petista no segundo turno.

Em nota, Leninha afirma que a situação envolve crimes de "violência política" e classifica os casos como "inaceitáveis". "Nenhum patrão tem o direito de usar seu poder econômico para intimidar quem pensa diferente. São pessoas que dependem do salário para sustentar suas famílias e não podem viver com medo de perder o emprego por exercerem um direito constitucional. Quem ameaça o trabalhador precisa ser investigado e, se comprovado o crime, responsabilizado", escreveu.

No pedido encaminhado à PCMG, a parlamentar solicita a apuração das denúncias e a realização de diligências para identificar os responsáveis pelas mensagens. Ela também pede a preservação e a análise das provas divulgadas em textos, gravações ou publicações nas redes sociais.

A legislação brasileira proíbe práticas discriminatórias nas relações de trabalho. A depender das circunstâncias, o uso da preferência política como critério para contratação, manutenção do emprego ou demissão pode resultar em responsabilização trabalhista e indenização por danos morais.

No Rio de Janeiro, a Justiça do Trabalho proibiu a deputada estadual India Armelau (PL-RJ) de incentivar empresários a demitir ou perseguir funcionários por suas convicções políticas. A medida atende parcialmente a um pedido do Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro (MPT-RJ), que ajuizou uma ação civil pública contra a parlamentar nesta terça-feira.

A Itatiaia procurou a PCMG e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para comentar os casos no estado, mas, até o momento, não obteve retorno.

Por

Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.

 

 

Belo Horizonte