Autor da PEC do fim da escala 6x1 é cotado para ministério
Reginaldo Lopes já havia entrado na lista de ministeriáveis em 2022

O deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), um dos autores da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, volta a ser mencionado nas articulações para a composição ministerial do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O parlamentar mineiro já havia sido cotado para ocupar uma pasta na formação do primeiro escalão, em 2022, mas acabou permanecendo na Câmara dos Deputados.
Na ocasião, Reginaldo chegou a ser lembrado para integrar a Esplanada, mas ficou de fora da composição final. O deputado manifestou insatisfação com a concentração de espaço político de São Paulo no governo, em uma disputa por representatividade que ficou conhecida nos bastidores como a crítica ao "paulistério".
Virada
A possibilidade de Reginaldo integrar o Executivo recoloca em discussão o espaço de Minas Gerais na Esplanada dos Ministérios e a participação de parlamentares petistas na composição do governo. Os mineiros avaliam que pela virada de Lula no segundo turno das eleições, o PT de Minas merece espaço. O deputado tem trajetória ligada às pautas trabalhistas e à articulação política no Congresso Nacional.
A defesa da redução da jornada de trabalho sem redução salarial deu maior visibilidade nacional ao parlamentar. Reginaldo apresentou a PEC 221 em 2019, antes de o fim da escala 6x1 ganhar projeção nacional. A proposta acabou sendo analisada em conjunto com a PEC 8/2025, de Erika Hilton (PSOL-SP), e resultou na aprovação de um texto que estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado.
A eventual nomeação dependerá das negociações políticas e da definição do espaço que o presidente pretende reservar aos aliados na Esplanada. Até o momento, a cotação não representa confirmação de convite ou de escolha para um ministério.
Apesar das especulações, Reginaldo tem dito a pessoas próximas que está empolgado com o mandato parlamentar e não tem comentado a possibilidade de ocupar uma cadeira na Esplanada. Caso deixe a Câmara, sua vaga será ocupada por um suplente da federação partidária, conforme a ordem de suplência aplicável.
Erika Hilton
Outra protagonista da discussão sobre o fim da escala 6x1, a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) também ganhou projeção com a proposta. Uma eventual nomeação para o primeiro escalão teria significado histórico, já que Erika poderia se tornar a primeira mulher transexual a ocupar um ministério no Brasil. Ao mesmo tempo, a parlamentar é considerada uma voz importante de seu campo político no Congresso, onde atua na defesa dos direitos da população LGBTQIA+ e de pautas sociais e trabalhistas.
Edilene Lopes é jornalista, cientista política, repórter e colunista da Itatiaia e analista da CNN Brasil. Com experiência em coberturas nacionais e internacionais, tem ampla experiência em entrevistas exclusivas com presidentes da República. Foi eleita a melhor repórter de rádio do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa e também venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados.



