Campanha de Flávio Bolsonaro busca diálogo com o STF em meio a crise com Moraes
Senador Rogério Marinho se reuniu com Gilmar Mendes em meio a ataques a Alexandre de Moraes e promessas de anistia para 8 de Janeiro

A equipe de campanha do candidato do Partido Liberal (PL) à presidência, Flávio Bolsonaro, busca interlocução com o Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, às vésperas do ato de 7 de Setembro. O movimento ocorre em meio a uma nova subida de tom da direita contra o ministro Alexandre de Moraes e após o senador Rogério Marinho (PL-RN) se reunir com o ministro Gilmar Mendes.
Nesta quarta-feira (2), o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, reuniu-se por cerca de quinze minutos com o ministro decano do STF, no gabinete do magistrado, em Brasília.
O objetivo é passar o recado de que as críticas a Moraes e a pressão para que ele deixe o cargo não significam um ataque à Corte. Segundo apurou o blog da Jussara Soares, da CNN Brasil, Gilmar foi procurado para que, em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, o decano possa contribuir para o processo de transição.
Flávio Bolsonaro tem dito que, se vencer as eleições, quer construir com o Congresso uma anistia geral a todos os envolvidos no plano de golpe e nos atos de 8 de Janeiro. Caso não consiga, o candidato do Partido Liberal (PL) promete conceder o perdão presidencial ao pai, que cumpre pena de vinte e sete anos e três meses.
Apesar da promessa, o senador tem sido aconselhado a enviar emissários ao Supremo Tribunal Federal (STF) na tentativa de construir um diálogo e evitar a repetição dos embates ocorridos ao longo do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na conversa com o ministro Gilmar Mendes, o senador Marinho disse que Flávio manterá uma relação institucional e de harmonia entre os Poderes. A reunião ocorreu um dia depois de o ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master, retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) que indica supostas conversas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com Moraes.
A revelação das mensagens levou a oposição a protocolar um novo pedido de impeachment de Moraes e a aumentar a pressão para que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), paute o pedido. O grupo também enviou um pedido de providências ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin.
A escalada da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) virou o principal ativo para o ato de campanha convocado por Flávio Bolsonaro para o feriado de 7 de Setembro, na Avenida Paulista, em São Paulo.
A manifestação deve pressionar pela saída do ministro Moraes e, ao mesmo tempo, fazer uma defesa do ministro Mendonça, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro à Corte.
Flávio também passará a reforçar o discurso de que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocará um desequilíbrio na Corte, diante da possibilidade de o petista indicar ao menos quatro novos ministros.
Neste mandato, o presidente Lula indicou Cristiano Zanin, seu ex-advogado, e o ex-ministro da Justiça Flávio Dino. O presidente Lula também indicou Jorge Messias, advogado-geral da União, mas ele foi rejeitado pelo Senado.
Nesta quinta-feira (3), o ministro Moraes usou o inquérito das Fake News para pedir ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de uma investigação contra o ministro Mendonça. O magistrado alega haver “fortes indícios” da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade por Mendonça na relatoria dos casos Master e INSS.
Na tentativa de controlar o confronto aberto entre os dois ministros, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou, nesta sexta-feira (4), que as apurações sobre o ministro Mendonça, pedidas por Alexandre de Moraes, fossem retiradas do inquérito das Fake News.
O ministro Fachin determinou que o caso seja incluído no processo aberto por ele sobre o relatório da Polícia Federal (PF) que aponta supostas conversas entre o ministro Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O ministro Mendonça, relator do caso Master, retirou o sigilo do conteúdo e o encaminhou à Presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo que o caso seja analisado em plenário.
Em evento no Palácio do Planalto, em Brasília, o ministro Edson Fachin defendeu o fim do inquérito das Fake News, aberto há sete anos, e a adoção de um código de ética. No evento, ele garantiu que todos os fatos estão sendo apurados.
“Não haverá precipitação, mas tampouco omissão. A resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa”, disse o ministro Fachin.
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