Em encontro com ministro de Bukele, Flávio diz que 'tem pouco preso no Brasil'
No Brasil, a população carcerária, até o fim de 2025, era de 964.074 pessoas, segundo dados da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, se encontrou neste domingo (30) com o ministro Gustavo Villatoro, responsável por chefiar a pasta da Justiça e Segurança Pública de El Salvador. No encontro, que aconteceu em São Paulo, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que, se eleito, irá se inspirar no país da América Central, liderado pelo presidente Nayib Bukele.
Durante coletiva de imprensa, Flávio afirmou que "tem pouco preso no Brasil". De acrdo com o senador, o número de detentos precisava ser maior, mas não é porque "a legislação é frouxa". Sem detalhar como, o candidato disse que irá criar mais de 500 mil vagas em presídios para que ladrões de telefone, por exemplo, tenham, no mínimo, oito anos de prisão. "Nós vamos investir muito em tecnologia para que eles fiquem de fato incomunicáveis", disse.
Após o encontro com Villatoro, Flávio afirmou que a inspiração, se eleito, será, sobretudo, na ampliação de presídios e no endurecimento da legislação penal. No Brasil, a população carcerária, até o fim de 2025, era de 964.074 pessoas, segundo dados da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) — número que aumentou 6% em relação a 2024.
A reestruturação do modelo de segurança pública adotado por El Salvador tem sido "inspiração" para vários candidatos à Presidência do Brasil. Além de Flávio, já fizeram acenos ao presidente salvadorenho Romeu Zema (Novo) e também Renan Santos (Missão).
Junto do senador, participaram da reunião o candidato a vice-presidente na chapa do PL, Alfredo Gaspar (PL-AL), o candidato ao governo do Paraná, Sergio Moro (PL-PR), e os candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP-SP) e André do Prado (PL-SP). "Falei com ele [Villatoro] que muita gente no Brasil acha impossível acabar com as facções criminosas. Ele me disse que não é impossível, que fizeram em El Salvador, que é um país pequeno, mas muito pobre. Somos um país grande, com muitas riquezas. Não tem explicação para que as facções continuem dobrando territórios", afirmou.
Em El Salvador, um dos sistemas utilizados é o modelo do Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), que mantém integrantes de facções sob controle absoluto. Apesar de ser inspiração para candidatos no Brasil, as medidas do governo Bukele são alvo de críticas de organizações internacionais de direitos humanos, que já denunciaram casos de tortura e até mesmo mortes dentro do sistema prisional do país.
Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.



