Itatiaia

Gilmar Mendes alfineta Zema ao criticar que 'há gente querendo se inspirar em Bukele'

Durante evento em São Paulo, nesta segunda-feira (26), o ministro do STF afirmou que as medidas de segurança adotadas pelo presidente de El Salvador “não cabem no Brasil”

Por
Gilmar Mendes em SP
Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal • Reprodução

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou, durante um evento em São Paulo, nesta segunda-feira (26), a inspiração de alguns políticos brasileiros nas medidas de segurança adotadas pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele.

A fala acontece dias após o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), anunciar que vai até o país da América Central visitar Bukele. Na semana passada, Zema elogiou o presidente de El Salvador e disse que quer conhecer o país para verificar essas políticas de segurança pública de perto.

Bukele articulou um regime de exceção com o Parlamento no país da América Central que já dura três anos para combater o crime organizado. Um relatório da Anistia Internacional, publicado no primeiro ano da medida, aponta que o estado de sítio decretado pelo Salvadorenho levou a "violações em massa dos direitos humanos" e detenções arbitrárias.

Gilmar Mendes não citou nomes, mas afirmou que há “gente querendo se inspirar em Bukele”, e que “isso não cabe” no Brasil.

“Um ponto importante que não pode ser esquecido nesse debate da segurança pública é o dos direitos humanos. A toda hora, neste Fla-Flu que envolve às vezes a temática, aparecem sempre medidas salvacionistas. Há gente, inclusive, querendo se inspirar em Bukele, isso não faz sentido. Pelo menos isso não cabe na Constituição de 1988. É uma violência policial que ultrapassa todos os limites. É preciso que se combata o crime sem cometer crime”, disse o ministro do STF no 2º Seminário Internacional de Segurança Pública, Direitos Humanos e Democracia, organizado pelo Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (Iree) em parceria com o IDP.

Além de Zema, em abril, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP), citou o país como bom exemplo na área durante um evento do Progressistas em Brasília e falou que “um caminho é a gente observar o que deu certo lá”.

Audiências de custódia

Por

Yuri Cavalieri é jornalista e pós-graduado em política e relações internacionais. Tem mais de 13 anos de experiência em rádio e televisão. É correspondente da Itatiaia em São Paulo. Formado pela Universidade São Judas Tadeu, na capital paulista, começou a carreira na Rádio Bandeirantes, empresa na qual ficou por mais de 8 anos como editor, repórter e apresentador. Ainda no rádio, trabalhou durante 2 anos na CBN, como apurador e repórter. Na TV, passou pela Band duas vezes. Primeiro, como coordenador de Rede para os principais telejornais da emissora, como Jornal da Band, Brasil Urgente e Bora Brasil, e repórter para o Primeiro Jornal. Em sua segunda passagem trabalhou no núcleo de séries e reportagens especiais do Jornal da Band.

 

 

Belo Horizonte