Cury aposta em IA para evitar nova reforma da Previdência: ‘Não há maneira de suportar’
Presidenciável do Avante reconhece impacto do envelhecimento da população e diz que saída passa por aumento da produtividade, expansão das microempresas e ampliação da base de contribuintes

Durante sabatina do Jornal Nacional, Augusto Cury (Avante), candidato à Presidência da República, disse que pretende enfrentar o desequilíbrio da Previdência sem uma nova reforma que "penalize" trabalhadores próximos da aposentadoria.
Ao ser questionado sobre o envelhecimento da população brasileira e a sustentabilidade do sistema previdenciário nas próximas décadas, Cury classificou o cenário como um “problema previdenciário gravíssimo” e destacou a perda do chamado bônus demográfico, período em que a parcela da população em idade de trabalhar é proporcionalmente maior que a de crianças e idosos.
“Nós perdemos o bônus demográfico. Isso é muito grave”, alega o candidato. Para Cury, uma das principais respostas ao problema seria aumentar a produtividade das empresas brasileiras por meio do uso de inteligência artificial e robótica. “Nós vamos ter que aumentar a produtividade das empresas de qualquer maneira, porque, se não aumentarmos a produtividade, não há maneira de você suportar a Previdência."
O candidato afirmou que, sem crescimento da produtividade e da arrecadação, o país poderia acabar pressionado a fazer uma nova mudança nas regras previdenciárias. “Você vai ser obrigado a fazer uma nova Previdência e penalizar as pessoas que estão em fase de se aposentar”, disse.
Cury defendeu, porém, uma estratégia diferente, baseada no avanço tecnológico e na ampliação do número de pessoas e empresas contribuindo para o sistema.
Microempresas e Bolsa Família
Entre as medidas citadas pelo presidenciável está o financiamento de 10 milhões de microempresas. Segundo ele, a expansão desse segmento ajudaria a aumentar o número de contribuintes e, consequentemente, a arrecadação da Previdência. Também voltou a defender mudanças na relação entre o Bolsa Família e o mercado de trabalho. A proposta apresentada é permitir que beneficiários tenham uma segunda fonte de renda sem perder imediatamente o auxílio.
Na avaliação de Cury, a medida poderia levar milhões de pessoas ao mercado formal e ampliar a contribuição para a Previdência. O candidato diz estimar a possiblidade de incorporar entre 10 milhões e 15 milhões de pessoas atualmente fora do mercado de trabalho, embora não tenha detalhado, durante a resposta, como seria feita essa transição.
Envelhecimento da população
A discussão sobre a Previdência surgiu após Cury ser questionado sobre declarações anteriores a respeito do rápido envelhecimento da população brasileira e da redução do número de trabalhadores que sustentam o sistema.
Segundo o candidato, o país precisará adaptar a economia ao novo perfil demográfico para evitar que o crescimento das despesas previdenciárias resulte em novas restrições aos trabalhadores.
A inteligência artificial e a robótica aparecem, no projeto defendido por Cury, como ferramentas para elevar a produção mesmo diante de uma população economicamente ativa proporcionalmente menor.
Jornalista pela PUC Minas e pós-graduanda em Política e Relações Internacionais. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público



