'Prendeu, matou': Renan Santos reafirma slogan, mas se afasta de Nayib Bukele
Candidato explica o lema de campanha e afirma que não seguirá prisões sem mandado e julgamentos coletivos adotados por presidente de El Salvador

Renan Santos (Missão) explicou as propostas para a segurança pública de seu eventual governo, afirmando: “O bandido será tratado como bandido, e o cidadão como cidadão”. A declaração foi feita durante entrevista concedida à GloboNews na tarde desta quarta-feira (5), no Rio de Janeiro.
Ele explica que a crítica da frase está na situação atual da legislação do país, em que a audiência de custódia ajuda na liberação de “bandidos” que serão reincidentes. “Hoje a regra é o prendeu, soltou. Você prende, vem uma audiência de custódia e solta. A provocação do prendeu, matou é: você tem que ter dois caminhos. Prendeu ou matou. Não tem outro caminho”, afirmou Renan.
O candidato ainda se afastou de propostas adotadas pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, conhecido por medidas extremas contra o crime organizado, como suspensão de habeas corpus, prisões sem mandado, julgamentos coletivos sem ampla defesa, entre outras. Perguntado pela jornalista Andréia Sadi se ele bebia da mesma fonte de Bukele, Renan Santos argumentou: “eu bebo na fonte da capacidade de ação e resolução do Estado. El Salvador não é igual ao Brasil".
Quem é Renan Santos?
Fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e presidente do partido Missão, Renan Antônio Ferreira dos Santos vive sua estreia nas urnas, mesmo atuando há 12 anos nos bastidores da política com o MBL. O candidato de 42 anos atrai eleitores mais jovens com um discurso voltado à direita, mas contrário ao campo bolsonarista.
Sua carreira política começou em meio aos protestos das “Jornadas de Junho” em 2013, que começaram como um movimento contrário ao aumento de 20 centavos na tarifa de ônibus e metrô de São Paulo. Logo os protestos cresceram e trocaram de pauta, revelando um sentimento de revolta contra escândalos de corrupção, gastos desproporcionais para a Copa do Mundo de 2014 e a administração de Dilma Rousseff (PT), então presidente na época. Motivado pelo sentimento antipetista que crescia na população, Renan fundou o MBL em 2014 junto ao deputado federal Kim Kataguiri (Missão).
Depois do impeachment de Dilma, as figuras centrais do movimento ganharam destaque no cenário da direita conservadora, defendendo pautas como defesa da propriedade privada, menor participação do Estado na economia, austeridade nas contas públicas, entre outras. Durante esse tempo, Renan nunca se filiou a nenhum partido político, mas passou a gerir o movimento e moldar a linguagem digital autêntica que o fez alcançar hoje os mais de 1,3 milhão de inscritos no Youtube e mais de 900 mil seguidores no Instagram.
Discordâncias tanto com partidos do chamado “centrão” quanto com Jair Bolsonaro e seus filhos depois das eleições de 2022 fizeram com que Renan mobilizasse seus apoiadores em prol de uma terceira via forte no cenário nacional. Assim nasceu o Partido Missão, viabilizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2025. A legenda agora abriga os apoiadores do movimento em uma instituição que prega o afastamento do pragmatismo político, mas ainda com pensamentos neoliberais presentes em seu estatuto.
Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Atuou em assessoria de imprensa no Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais (MPT-MG) e no setor de apuração da TV Alterosa. Cobre as eleições de 2026 para a Itatiaia.



