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Como os pré-candidatos à Presidência reagiram ao novo tarifaço de Trump

O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) confirmou a aplicação de taxas adicionais de 25%, com uma extensa lista de itens isentos

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Official White House Photo by Daniel Torok.

Os Estados Unidos voltaram a aplicar novas tarifas a produtos brasileiros nesta quarta-feira (15). O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) confirmou a aplicação de taxas adicionais de 25%, com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor na próxima quarta-feira (22).

A decisão, resultado de uma investigação comercial do USTR, repercutiu entre os pré-candidatos à Presidência da República.

Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou uma nota ainda na quarta-feira classificando a ação do governo de Donald Trump como um "marco lastimável" nas relações entre os dois países. No comunicado, o petista, pré-candidato à reeleição, afirma que o Brasil "não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio" e que "não há justificativa para medidas unilaterais" contra o país.

Lula também saiu em defesa do Pix, alvo recente da Casa Branca. No texto publicado, o presidente afirma que as alegações contra o sistema de pagamento brasileiro são "descabidas". "O Pix é patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital", escreveu.

Ele ainda cita diretamente a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como responsável pela criação de um suposto "enredo". "São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros", acusa.

Flávio Bolsonaro

O senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), por outro lado, culpou o presidente pelas novas tarifas. Segundo ele, o Brasil está "num avião sem piloto", comparando Lula ao ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden. "O Biden brasileiro está ranzinza, inconsequente e se tornou um perigo para a nossa nação", escreveu nas redes sociais, em resposta a uma publicação do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que acusou o presidente e o governo brasileiro de não negociarem com os Estados Unidos "de boa-fé".

Flávio esteve na Casa Branca com Donald Trump pouco depois do encontro do petista, acompanhado de seus ministros, em uma agenda oficial. Após a reunião com o republicano, os Estados Unidos declararam o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas. As novas tarifas foram anunciadas posteriormente.

Em outra postagem, o senador afirmou que esteve nos Estados Unidos para "evitar o tarifaço", mas que Lula, por outro lado, teria "preferido provocar Trump".

Ronaldo Caiado

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) optou por críticas aos dois lados. O pré-candidato à Presidência criticou o petista e também o filho do ex-presidente Bolsonaro pelas novas tarifas aplicadas ao Brasil.

Nas redes sociais, ele afirmou que, por causa da polarização, setores inteiros "poderiam quebrar". Segundo Caiado, enquanto Lula não teria "capacidade de dialogar", Flávio "está preocupado com a eleição", sem citar o adversário diretamente. "O mais triste é que Lula não tem capacidade para dialogar e o outro candidato está preocupado com a eleição, não com o Brasil. A polarização está saindo muito cara para as famílias e para o país", declarou.

Na quarta-feira, Caiado já havia publicado outros textos com críticas mais diretas ao senador. O ex-governador mencionou o pedido de adiamento do tarifaço até as eleições, feito por Flávio durante uma audiência pública nos Estados Unidos. Na mesma postagem, argumentou que o governo tratou a situação com "cuidados paliativos". "Flávio foi aos EUA implorar a Trump que adie o tarifaço até depois da eleição. Não pediu para cancelar, pediu para adiar. Para ele, o agro pode quebrar, desde que depois do voto. Minha proposta é reciprocidade de verdade. Mercado aberto dos dois lados, não vassalagem. O Brasil tem o que o mundo precisa: comida, energia limpa, minerais estratégicos. Chega de negociar de joelhos", escreveu.

Romeu Zema

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) condenou a medida do governo dos Estados Unidos e afirmou que a decisão prejudica os interesses do Brasil.

Por outro lado, também responsabilizou o governo brasileiro pela condução das negociações, embora tenha afirmado que os supostos erros do Planalto não justificariam as tarifas impostas pelos Estados Unidos.

"O governo brasileiro errou nas negociações, criando atritos desnecessários e adotando um discurso eleitoreiro. Se tivesse agido de maneira técnica e responsável, poderia ter evitado uma retaliação que, de qualquer forma, não se justifica", disse.

Renan Santos

O presidente do partido Missão e pré-candidato à Presidência, Renan Santos, também adotou uma postura de críticas aos dois lados, responsabilizando Lula e a família Bolsonaro pela condução da crise com os Estados Unidos. Segundo ele, ambos colocaram interesses eleitorais acima dos interesses do país.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Renan Santos insinuou que Lula estaria "praticamente comemorando" as novas tarifas, afirmando que o presidente quer "posar de quem enfrenta os americanos".

O pré-candidato, no entanto, também acusou a família Bolsonaro de adotar uma postura submissa a Trump e acrescentou que a atuação de Flávio nos Estados Unidos não contribuiu para a defesa do país. "Do outro lado, nós temos o Flávio Bolsonaro e a família Bolsonaro como um todo, que são uns puxa-sacos do Donald Trump. O Flávio foi aos EUA dizendo que o Trump gostava desse gesto. Eu vi o resultado desse aceno: o Trump transformou essa palhaçada em tarifa", disse.

Veja vídeo:

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Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.