De Rodoanel a novo contrato de ônibus: as propostas dos pré-candidatos a prefeito para a mobilidade de BH
Planos para aliviar trânsito e melhorar experiência dos usuários do transporte coletivo têm, ainda, ideias como fiscalização da expansão do metrô e articulação com prefeitos da RMBH

Enquanto buscam alianças e trabalham, nos bastidores, para confirmar a presença nas eleições de outubro, pré-candidatos à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) já começam a construir propostas que devem ser mostradas aos cidadãos. A mobilidade urbana é um dos temas no centro do debate público e, por isso, da direita à esquerda, os possíveis postulantes à chefia do Executivo municipal preparam a apresentação de ideias que vão desde a defesa do Rodoanel Metropolitano encampado pelo governador Romeu Zema (Novo) à revogação dos contratos com as empresas responsáveis pelo sistema de ônibus coletivos.
Rodoanel e diálogo na Região Metropolitana
O apoio ao Rodoanel é bandeira do deputado estadual Bruno Engler (PL), que aponta a nova estrada como caminho para aliviar o fluxo de veículos pesados no Anel Rodoviário. Do outro lado do espectro político, Ana Paula Siqueira (Rede), também integrante da Assembleia Legislativa, aponta a necessidade de interlocução entre prefeitos da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Segundo ela, os municípios precisam pensar, conjuntamente, em alternativas para aliviar o trânsito.
“Hoje, a prefeitura, por uma briga com o governo de Minas, não se posiciona nesse sentido. O novo Rodoanel é mais do que necessário, até porque o Anel Rodoviário de Belo Horizonte não comporta mais a demanda para o qual foi pensado. Ele se tornou avenida, porque a gente tem bairro de um lado e bairro de outro”, diz Engler, ao citar a nova estrada, cujo possível traçado é alvo de críticas de prefeituras como a de Contagem.
Ana Paula Siqueira, por sua vez, defende que as lideranças locais pensem em novos itinerários para tirar o maior número possível de carros e ônibus dos trajetos já conhecidos pelos motoristas.
“Não dá mais, no contexto que temos hoje de sufocamento do trânsito, a gente não pensar em outras estratégias para dar dignidade às pessoas e resolver o problema do trânsito — que é um problema metropolitano. Temos de ter muita consciência que BH, hoje, é muito impactada pelo volume de ônibus e veículos que vêm da Região Metropolitana. É necessária uma articulação conjunta”, assinala.
Revogação dos contratos de ônibus e tarifa zero
Colega de Ana Paula Siqueira na federação formada por Rede e Psol, Bella Gonçalves diz que a melhora do sistema de ônibus é a ponte para diminuir desigualdades sociais, como as lacunas que afetam as mulheres — maioria entre as usuárias dos coletivos.
“Estamos reféns das empresas de ônibus, que descumprem um contrato fraudulento, já reconhecido como fraudulento pelos órgãos públicos, como a própria prefeitura, o Tribunal de Contas, o Ministério Público e o Tribunal de Justiça. Temos uma passagem cara e um transporte absolutamente precário, que já está colocando a vida da população em risco, com acidentes constantes. Passou da hora de revogar o contrato com as empresas de ônibus e construir um outro modelo de transporte, que consiga fazer com que as pessoas tenham condições de pegar ônibus - sejam condições econômicas e também de qualidade”, aponta.
A parlamentar é favorável à adoção da tarifa zero gradual nos ônibus. O primeiro passo seria a concessão das gratuidades aos fins de semana e para parte da população.
A ideia de tarifa zero também tem sido citada pelo presidente da Câmara Municipal de BH, Gabriel Azevedo. Pré-candidato do MDB, ele travou embates com o prefeito Fuad Noman (PSD) à época da aprovação de um subsídio de R$ 512,8 milhões às concessionárias de ônibus, no ano passado. O repasse serviu para manter, por alguns meses, a passagem em R$ 4,50, além de custear novos ônibus e a concessão de tarifa zero para ônibus que circula em vilas e favelas. Hoje, vale lembrar, as tarifas estão em R$ 5,25.
“Tem que ter mais veículos novos na rua. E hoje são mais de 600 ônibus novos por causa da Câmara, que cobrou. Tem que ter as tarifas zero e gratuidades. Tem que ter punição para quem não faz o serviço da maneira correta”, pontua.
Fuad aposta em obras
Pré-candidato à reeleição, o prefeito Fuad Noman (PSD), além de depositar fichas em um programa de “tolerância zero” a respeito de falhas das empresas que administram a frota de ônibus, aposta em obras para corrigir problemas de fluxo.
“Nós temos feito obras de mobilidade urbana na Avenida Cristiano Machado, que já eram para terem sido feitas lá atrás, quando foi criada a Linha Verde, mas por uma série de contingências, não foram feitas. Tentamos fazer antes da Copa e não conseguimos fazer”, assinala.
Segundo o prefeito, as alterações na região vão reduzir o tempo de deslocamento em cerca de 20 minutos.
“(Há) obras no Viaduto da Valdomiro Lobo, Sebastião de Brito e as trincheiras em frente ao Shopping Estação. Também temos as obras no corredor da Avenida Amazonas, ainda em projeto, que vai melhorar muito a vida das pessoas. São obras que eu gostaria de iniciar e concluir”, completa.
Sistema Único de Mobilidade e integração de coletivos
Assim como Ana Paula Siqueira, a deputada federal Duda Salabert (PDT) pleiteia a união de prefeitos da Grande BH em torno das demandas de mobilidade urbana. Mas, para a pedetista, a articulação deve acontecer para cobrar, do governo federal, a instalação de um Sistema Único de Mobilidade, válido para todo o país.
“O problema do trânsito não é exclusivamente de BH. Assim como há o SUS, Sistema Único de Saúde, há que se construir um Sistema Único de Mobilidade Urbana, para que o governo federal ajude os municípios como Belo Horizonte e sua Região Metropolitana a ter um transporte público, de fato, sustentável”, indica.
Também representante de Minas Gerais no Congresso Nacional, o senador Carlos Viana (Podemos), um dos defensores da expansão do metrô por meio da linha que ligará o Barreiro ao Calafate, aposta, também, no transporte rodoviário.
“Vou fazer uma integração de ônibus em Belo Horizonte que vai ser modelo no Brasil, coisa que já vi na Alemanha”, explica.
Paralelamente, Paulo Brant (PSB), vice-governador de Minas no primeiro mandato de Zema, vê caráter sistêmico dos problemas de deslocamento em BH.
“A questão (da mobilidade) é crônica, mas aguda também. O problema da mobilidade, hoje, não se localiza em nenhum quadrante. Está em todos os quadrantes. Está no Buritis, no Alípio de Melo, no Belvedere ou em Santa Efigênia. É um problema gravíssimo de Belo Horizonte”, opina.
Aposta em realocação do orçamento
Secretária de Planejamento e Gestão do governo mineiro, Luísa Barreto (Novo) tenta, pela segunda vez consecutiva, chegar ao posto máximo do prédio da Avenida Afonso Pena 1.212. Ela classifica o trânsito belo-horizontino como “caótico” e diz que a verba investida pelo poder público municipal no subsídio às empresas de ônibus deveria ter sido usada de outra forma.
“Esse dinheiro, se aplicado em intervenções urbanas, melhorias no trânsito e obras de infraestrutura, não tenho dúvidas, seria muito melhor alocado. Mas, para isso, é preciso coragem para enfrentar os empresários de ônibus, vontade de fazer uma gestão cuidadosa, que obrigue as empresas a fazer aquilo que o contrato prevê: um transporte de qualidade. Isso, infelizmente, falta em nossa cidade”, critica.
Fiscalização do metrô
Embora a prefeitura não tenha ingerência sobre o metrô de Belo Horizonte, a ampliação do modal ferroviário também tem sido abordada pelos pré-candidatos. A construção da segunda linha do trem urbano deve começar na segunda quinzena do mês de maio, como garantiu a Metrô BH, concessionária que administra o transporte municipal sobre trilhos desde a privatização do equipamento. Rogério Correia, por exemplo, afirma que a ideia é fiscalizar o cumprimento das obrigações estabelecidas em contrato.
"Não vamos dar moleza a essas empresas. Ganharam a licitação e teve o processo de privatização, que criticamos, porque você dá o dinheiro e a empresa é que vai fazer. Poderíamos ter feito a obra e, depois, a concessão, se fosse o caso”, assegura. “Vamos cumprir o contrato. É importante que o contrato seja cumprido mesmo. Então, a empresa terá de fazer as obras naquilo que o contrato mandou fazer”, completa.
Hoje, o metrô vai de Venda Nova a Contagem. Se a segunda linha sair do papel, haverá uma ramificação dos trilhos ligando o Barreiro ao Calafate.
Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.



