Lula é aconselhado a indicar nome de consenso ao STF ainda em 2026
Aliados do governo defendem uma escolha com apoio de Davi Alcolumbre e das lideranças do Senado para evitar uma nova derrota no Congresso; Rodrigo Pacheco é apontado como principal alternativa a Jorge Messias.

Depois de ter sido reeleito Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tem sido aconselhado por aliados do governo a escolher um nome de consenso para ocupar a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), antes do fim de 2026. A orientação é evitar uma nova disputa com o Senado e garantir que o indicado tenha votos suficientes para ser aprovado.
Lula já sinalizou algumas vezes a interlocutores que gostaria de insistir no nome do advogado-geral da União, Jorge Messias. A indicação, porém, enfrenta resistência no Senado. Em abril, Messias foi rejeitado por 42 votos a 34, em uma derrota histórica para o governo.
Diante desse cenário, parlamentares aliados e integrantes da chamada ‘cozinha’ do Palácio do Planalto defendem uma escolha que tenha o aval do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e das principais lideranças da Casa. O nome mais citado por esse grupo é o do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG), atualmente ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).
Pacheco já era considerado o preferido de Alcolumbre antes da indicação de Messias. A avaliação entre aliados é que o ex-presidente do Senado reúne apoio político suficiente para facilitar a aprovação e evitar um novo desgaste entre o Executivo e o Legislativo.
A tentativa de concluir a escolha ainda neste ano também leva em conta a mudança na composição do Senado a partir de fevereiro de 2027. A direita ampliou sua presença na Casa nas eleições de outubro. Somente o PL, partido de Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, terá 28 cadeiras na próxima legislatura, sendo 19 conquistadas neste pleito.
Para os articuladores do governo, a atual composição do Senado oferece uma oportunidade de negociação antes da posse dos novos parlamentares. A intenção é evitar que a indicação fique para o próximo ano, quando o cenário político poderá ser menos favorável ao Planalto.
A aproximação entre Lula e Alcolumbre durante o período eleitoral também é considerada um fator que pode favorecer um acordo em torno de Pacheco. O presidente apoiou candidatos ligados ao senador no Amapá, enquanto Alcolumbre acelerou a tramitação de propostas de interesse do governo às vésperas da votação.
A escolha, no entanto, ainda não foi fechada. Lula só deve amadurecer a decisão após um período de descanso depois da campanha eleitoral, durante o feriado de Finados.
Pela Constituição, cabe ao presidente da República indicar o ministro do Supremo. O nome escolhido precisa passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e ser aprovado pela maioria absoluta dos senadores, ou seja, pelo menos 41 dos 81 parlamentares.
A cadeira está vaga desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. A definição do substituto terá impacto na composição do STF e também nas relações políticas entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



