Lula avalia mudanças nos ministérios para quarto mandato presidencial
Maurício Lyrio é cotado para substituir Mauro Vieira na diplomacia, enquanto Camilo Santana e Fernando Haddad ganham espaço na disputa pelo comando da futura pasta da Segurança; escolha de Lincoln Gakiya perde força.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia mudanças em áreas estratégicas do governo para o próximo mandato. Entre as possibilidades estão a indicação do embaixador Maurício Lyrio para comandar o Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, e a criação de um Ministério da Segurança Pública, com a escolha de um novo titular para a área.
As movimentações fazem parte das discussões sobre a composição da próxima equipe ministerial. Lula considera nomes com perfis distintos para os cargos, combinando experiência diplomática, articulação política e atuação no combate ao crime organizado. Nenhuma das escolhas foi anunciada oficialmente.
Para o comando do Ministério das Relações Exteriores, Lula considera uma mudança geracional e avalia o nome do embaixador Maurício Lyrio, de 59 anos. O atual chanceler, Mauro Vieira, tem 75 anos e esteve à frente da pasta durante todo o terceiro mandato do presidente. Ele também ocupou o cargo entre 2015 e 2016, no governo Dilma Rousseff.
Lyrio é considerado próximo do assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim. Durante o atual governo, o diplomata atuou em negociações econômicas e ambientais, com participação na elaboração da declaração da cúpula do G20 realizada no Brasil e nas tratativas para a conclusão do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
O embaixador também integrou as negociações relacionadas às tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Em 2025, assumiu a Secretaria de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty, com atuação nas discussões internacionais sobre o clima e na preparação da COP30, realizada em Belém, no Pará.
O fato é que a possível mudança no Itamaraty faz parte de uma reorganização mais ampla, que também pode atingir o Ministério da Defesa, que atualmente é comandado por José Múcio.
Camilo Santana e Haddad ganham espaço na Segurança
Na área da segurança pública, a disputa pelo comando da futura pasta passou por mudanças nos últimos dias. Inicialmente, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, conhecido pela atuação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), aparecia entre os nomes cotados para assumir o ministério.
Ele inclusive participou de um jantar na casa do advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo, poucos dias antes do segundo turno. No encontro, o promotor foi consultado sobre os desafios da segurança pública e compartilhou experiências de cerca de 30 anos de atuação no Ministério Público de São Paulo.
Gakiya informou que não recebeu um convite oficial, mas sinalizou que estaria disposto a assumir a função caso fosse chamado. O promotor é conhecido por investigações contra o PCC e vive sob escolta armada em razão de ameaças relacionadas ao trabalho. Em 2019, participou da iniciativa que levou à transferência de 22 lideranças da facção para presídios de segurança máxima.
Entretanto, após a eleição, o nome dele acabou perdendo força. Lula teria sinalizado a aliados que prefere um político no comando da nova pasta, e os ex-ministros Camilo Santana e Fernando Haddad passaram a ser considerados para a função.
Camilo, ex-governador do Ceará e ex-ministro da Educação, ganhou espaço na articulação política do presidente durante a campanha eleitoral. Haddad, por sua vez, é citado por interlocutores de Lula em razão da atuação da Receita Federal no enfrentamento a esquemas financeiros ligados ao crime organizado, incluindo operações contra a lavagem de dinheiro.
A escolha ainda está em discussão, já que alguns membros da chamada ‘cozinha’ do Palácio do Planalto avaliam que Fernando Haddad poderia ser um bom nome para reassumir o Ministério da Educação, pasta que ocupou entre os anos de 2005 e 2012.
Criação do ministério depende do Congresso
A instalação do Ministério da Segurança Pública está condicionada à aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. O texto busca ampliar a coordenação da União com estados, Distrito Federal e municípios no enfrentamento à criminalidade e fortalecer a integração entre as forças de segurança.
A proposta já passou pela Câmara dos Deputados e avançou na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas ainda depende de votação no plenário. A tramitação foi afetada por divergências em torno da inclusão de mudanças na maioridade penal para determinados crimes.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



