Desafio do sigilo: autor do PowerPoint da Lava Jato vai analisar documentos de Lula
Ex-procurador Deltan Dallagnol, que coordenou a Lava Jato e teve o mandato de deputado cassado, vai analisar documentos após Flávio impor quase 20 condições para aceitar desafio proposto pelo presidente

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) escalou o ex-procurador da República, Deltan Dallagnol para, examinar documentos relacionados à quebra de sigilo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de pessoas próximas a ele. A iniciativa integra um desafio político entre os dois candidatos: Flávio apresentou 19 condições para aceitar a proposta de abertura de sigilos, e a campanha petista afirmou que concorda com as exigências.
Dallagnol deverá procurar eventuais inconsistências nos documentos, segundo a campanha de Flávio. A escolha busca explorar a imagem e a experiência do ex-procurador na Operação Lava Jato, força-tarefa que ele coordenou em Curitiba entre 2014 e 2020. A atuação de Dallagnol, no entanto, também foi marcada por questionamentos judiciais e disciplinares.
Um dos episódios mais conhecidos foi a apresentação de PowerPoint feita em 2016 para explicar a denúncia contra Lula. O material colocava o então ex-presidente no centro de um suposto esquema criminoso. Em 2022, o Superior Tribunal de Justiça condenou Dallagnol a pagar indenização por danos morais a Lula pelo episódio. O valor, atualizado, chegou a cerca de R$ 146 mil, pago pelo ex-procurador em 2025.
Dallagnol também recebeu sanções de advertência e censura do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Em 2023, teve o mandato de deputado federal cassado por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Corte entendeu que ele pediu exoneração do Ministério Público Federal enquanto ainda havia procedimentos disciplinares em tramitação, numa tentativa de evitar a aplicação da Lei da Ficha Limpa. Na ocasião, havia 15 procedimentos contra ele no conselho.
Apesar do revés, Dallagnol voltou a disputar uma vaga no Congresso. Nas eleições de outubro de 2026, foi eleito senador pelo Paraná, com 2.904.594 votos, equivalentes a 25,14% dos válidos. A validade da candidatura, porém, continua sob questionamento judicial: o registro foi objeto de decisões divergentes no âmbito da Justiça Eleitoral, e o julgamento definitivo pelo TSE foi adiado.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



