Pacheco ganha força para o STF após reaproximação entre Lula e Alcolumbre
Aliados afirmam que a indicação do ex-presidente do Senado ao Supremo avançou nos bastidores de Brasília. Após meses de desgaste com Alcolumbre, Lula retoma as articulações, mas ainda não confirmou oficialmente a escolha do nome.

A possível indicação do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Rodrigo Pacheco ao Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou força nos bastidores de Brasília. Aliados do ex-presidente do Senado afirmam que as conversas avançaram nos últimos dias, especialmente após a reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), na segunda-feira (26).
Nos bastidores de Brasília, a expectativa é de que Lula encaminhe a indicação ao Senado nas próximas semanas. O nome deve passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e ser submetido à votação em plenário ainda neste ano. Até o momento, porém, não há confirmação oficial de que o presidente tenha tomado uma decisão.
O fato é que a articulação em torno de Pacheco ocorre após o desgaste entre Lula e Alcolumbre provocado pela indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo. O presidente do Senado defendia o nome de Pacheco para a vaga aberta com a saída de Luís Roberto Barroso, mas Lula optou por Messias, que acabou rejeitado pelos senadores.
A votação representou uma derrota para o governo e ampliou a tensão entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Senado. Segundo relatos publicados pela imprensa, Lula e Alcolumbre ficaram cerca de quatro meses sem conversar após o episódio.
A possibilidade de indicação de Pacheco voltou ao centro das negociações nas últimas semanas. Além do apoio de Alcolumbre, o ex-presidente do Senado conta com interlocutores favoráveis à escolha no Congresso e no próprio STF.
Uma eventual ida de Pacheco ao Supremo abriria uma nova disputa pela cadeira que ele ocupa atualmente no Tribunal de Contas da União. Entre os nomes mencionados nas articulações está o da ex-ministra Simone Tebet (PSB), mas não há definição sobre quem poderia assumir a vaga.
O processo de escolha de um ministro do STF depende de indicação do presidente da República e aprovação do Senado. O nome escolhido precisa passar por sabatina na CCJ e obter, no plenário, pelo menos 41 votos favoráveis.
A expectativa relatada por interlocutores é de que as conversas avancem nas próximas semanas. A indicação, contudo, depende de uma decisão formal de Lula e da posterior análise dos senadores.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



