Alcolumbre articula indicação de Pacheco ao STF e movimenta disputa no TCU
Lula é apontado como provável responsável pela indicação do ex-presidente do Senado ao Supremo em novembro. Uma eventual saída de Pacheco do Tribunal de Contas da União abriria espaço para novas negociações políticas.

A possível indicação de Rodrigo Pacheco ao Supremo Tribunal Federal (STF) entrou no centro das negociações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Nos bastidores de Brasília, fontes do Governo Federal dizem que o mês de novembro é o período provável para o envio do nome ao Senado.
A articulação envolve não apenas a composição da Suprema Corte, mas também a distribuição de espaços estratégicos no Tribunal de Contas da União (TCU). Pacheco assumiu recentemente uma vaga no tribunal, após indicação do Senado e aprovação pela Câmara dos Deputados. Caso seja escolhido para o STF, sua saída abriria uma nova disputa pela cadeira na Corte de Contas.
Nesse cenário, a ex-ministra Simone Tebet (PSB), derrotada na disputa pelo Senado por São Paulo, aparece entre os nomes avaliados pelo Planalto para ocupar a vaga no TCU. A possibilidade, porém, ainda não está definida.
Alcolumbre é um dos principais defensores do nome de Pacheco para o Supremo. O presidente do Senado ficou contrariado quando Lula optou por indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, para a Corte. A indicação de Messias acabou rejeitada pelo Senado, em uma derrota política para o governo.
A escolha de Pacheco é vista por interlocutores como uma oportunidade de reaproximação definitiva entre o Executivo e a cúpula do Legislativo. O ex-presidente do Senado tem trânsito entre diferentes grupos políticos e conta com apoio de integrantes do Congresso e de ministros do STF.
A expectativa é que Alcolumbre trabalhe para acelerar a tramitação da indicação, caso Lula formalize a escolha. O processo inclui sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e votação dos parlamentares.
Decisão pode ocorrer após o segundo turno
A previsão é que Lula tome uma decisão depois do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Mesmo se for derrotado, o presidente poderá indicar um ministro do Supremo enquanto permanecer no cargo, até a transmissão da Presidência.
A hipótese ganhou relevância diante da possibilidade de mudança na correlação de forças do Senado a partir da próxima legislatura. Defensores da indicação avaliam que a escolha de Pacheco ainda no atual mandato poderia facilitar a aprovação e evitar que a vaga fique sujeita à influência de um futuro governo.
A estratégia, no entanto, não é consenso entre aliados de Lula. Parte do entorno do presidente considera que discutir a indicação antes do resultado eleitoral pode transmitir uma imagem de antecipação de uma eventual derrota.
Até o momento, não há confirmação oficial de que Lula tenha decidido indicar Pacheco. A negociação permanece nos bastidores e depende de uma decisão do presidente da República, além da aprovação do Senado.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



