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Campanha de Lula prepara ofensiva contra Flávio Bolsonaro com caso Dark Horse

Petistas pretendem explorar na propaganda eleitoral a investigação sobre financiamento do filme e a relação de Flávio com Daniel Vorcaro

PorBrasília
Lula no lançamento oficial da sua campanha
Lula no lançamento oficial da sua campanha • Foto: Ricardo Stuckert/PT

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara uma ofensiva eleitoral contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) usando como um dos principais argumentos a investigação aberta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Fontes ligadas ao Palácio do Planalto dizem que a estratégia é levar o caso para a televisão e explorar politicamente a investigação que envolve Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O senador é investigado em um inquérito autorizado pelo ministro André Mendonça, a partir de uma solicitação da Polícia Federal e com manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República.

A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao financiamento do filme. Flávio nega irregularidades e sustenta que os recursos utilizados na produção eram privados.

O principal ponto que a campanha petista pretende explorar é a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

Segundo documentos da investigação, o senador teria negociado diretamente com o ex-banqueiro recursos para financiar “Dark Horse”. A apuração aponta que o valor solicitado chegou a US$ 24 milhões e que pelo menos US$ 12,3 milhões teriam sido efetivamente repassados.

Os recursos teriam sido enviados para um fundo nos Estados Unidos relacionado ao financiamento da produção.

A investigação sobre esse fluxo financeiro continua sob sigilo, apesar da decisão de Mendonça de retirar o segredo de Justiça de outros procedimentos ligados ao caso Banco Master.

A campanha de Lula pretende transformar a relação entre o candidato do PL e Vorcaro em um tema eleitoral, especialmente porque Flávio aparece tecnicamente empatado com o petista em algumas pesquisas recentes.

Apesar da ofensiva, a estratégia petista é evitar que o caso seja apresentado exclusivamente como uma disputa entre Lula e o Supremo.

A avaliação dentro da campanha é que o foco deve estar nas suspeitas envolvendo o financiamento do filme e na relação de Flávio com Vorcaro, e não nas divergências entre os ministros André Mendonça, Alexandre de Moraes e Flávio Dino.

O PT também pretende relacionar o episódio a outros temas que considera mais favoráveis eleitoralmente, como corrupção e segurança pública. A intenção é evitar que a eleição se transforme em um plebiscito sobre a atuação do STF.

Flávio reage e acusa interferência política

Flávio Bolsonaro tem negado irregularidades e afirma que o filme não recebeu dinheiro público. Após a operação autorizada por Dino, o senador classificou a medida como uma tentativa de interferência política no processo eleitoral.

Aliados do candidato também tentam minimizar o impacto eleitoral da investigação e argumentam que ser alvo de um inquérito não significa comprovação de crime.

O caso, entretanto, ganhou dimensão eleitoral justamente no momento em que Lula e Flávio aparecem próximos nas pesquisas.

Para o PT, a investigação oferece uma oportunidade de colocar no horário eleitoral a relação entre o candidato do PL, Vorcaro e o financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro, tema que a campanha avalia ter potencial para atingir diretamente a imagem do adversário.

Por, Repórter

João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.

 

 

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