'Pesquisa não me abala não', diz Lula sobre queda entre eleitores do Bolsa Família
Presidente minimizou recuo das intenções de voto entre o público atendido pelo programa e reconheceu que resultados da economia ainda não atenderam às expectativas da população

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, minimizou nesta quinta-feira (10) a queda das intenções de voto entre eleitores ligados ao Bolsa Família. Durante sabatina do SBT, o petista afirmou que pesquisas servem como referência para a campanha, mas disse que não pretende conduzir a disputa eleitoral acompanhando diariamente as oscilações dos levantamentos.
Lula foi questionado sobre dados apresentados durante a entrevista segundo os quais cerca de 70% dos beneficiários do Bolsa Família declaravam intenção de votar nele no fim de junho, percentual que teria caído para aproximadamente 50% em setembro.
“Tem uma fábrica de pesquisa nesse mundo. Tem uma fábrica de pesquisa todos os dias, tem três, quatro pesquisas no jornal. Se eu for ficar em cima de pesquisa analisando, eu morro, não vou fazer campanha”, afirmou.
O presidente disse que só considera efetivamente ter perdido votos depois do resultado das eleições e afirmou que utiliza os levantamentos como um instrumento para avaliar os próximos passos da campanha.
“A pesquisa é um reflexo para a gente poder saber o que fazer ali na frente. E, como tem muita pesquisa, você tem que saber qual é que você avalia”, declarou.
Ao ser questionado sobre a redução do apoio em um segmento historicamente importante para o PT, Lula evitou apontar uma causa específica e voltou a associar sua candidatura à defesa da população de menor renda.
“Eu tenho um objetivo, eu tenho uma causa. A minha causa é fazer o povo pobre desse país ganhar cidadania plena”, disse.
Lula é questionado sobre insatisfação com a economia
Na sequência da entrevista, Lula foi questionado sobre a percepção da população em relação à economia. A entrevistadora observou que, apesar de indicadores positivos apresentados pelo governo, parte das famílias brasileiras ainda não sente melhora no cotidiano.
Mas Lula aponta que “Não fico triste de saber o que nós já fizemos na economia e que, ainda assim, a gente não atendeu a expectativa da sociedade."
O petista citou o comportamento dos preços dos alimentos e disse que recebeu o governo com uma inflação elevada nesse segmento. Segundo Lula, a inflação de alimentos durante sua gestão estaria em 13%.
“Você sabe qual é a inflação de alimento no meu governo? 13%. Ora, isso não conseguiu baixar o preço do que estava”, declarou Lula.
O presidente argumentou que a desaceleração da inflação não significa necessariamente que os produtos retornem aos preços anteriores, o que ajuda a explicar, segundo ele, por que parte da população ainda não percebe melhora significativa no custo de vida.
A estratégia para os próximos anos, de acordo com Lula, será manter a economia em expansão para aumentar emprego, renda e poder de compra.
“A nossa briga é continuar crescendo para a gente gerar emprego, gerar crescimento na renda e gerar mais poder aquisitivo”, disse.
Salário mínimo e responsabilidade fiscal
Ao defender a política econômica do governo, Lula também destacou a valorização do salário mínimo. Segundo o presidente, aumentos reais de remuneração não provocam necessariamente avanço da inflação e ajudam a ampliar o poder de compra dos trabalhadores.
“Eu já tenho oito anos e agora mais três mostrando que aumentar o salário mínimo não causa inflação nesse país. Causa o poder de compra e a autonomia da vida do povo trabalhador”, afirmou.
Lula defendeu ainda que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) seja compartilhado com trabalhadores e aposentados. “O crescimento do PIB é o resultado da produção desse país. E quem produz é o trabalhador. Então, todos os aposentados que já trabalharam muito também têm o direito de receber”, declarou.
Jornalista pela PUC Minas e pós-graduanda em Política e Relações Internacionais. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público



