Dino autoriza quebra de sigilos bancários e fiscais em caso dos R$ 400 mil de Sóstenes
Foi determinada também buscas e apreensões contra empresários, advogados e o suposto comprador de imóvel negociado pelo deputado do PL

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados no caso dos mais de R$ 400 mil encontrados na residência do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). O magistrado também determinou o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra empresários, advogados e o suposto comprador de um imóvel vendido pelo parlamentar em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro.
A Itatiaia teve acesso à decisão, proferida nesta quarta-feira (1º), que tramita sob sigilo.
De acordo com a decisão, após o cumprimento dos mandados de busca e apreensão na Operação Galho Fraco, em 19 de dezembro do ano passado, os pacotes de dinheiro em espécie encontrados no guarda-roupa do deputado estavam identificados com etiquetas do banco Sicredi. A identificação permitiu à Polícia Federal (PF) rastrear a origem dos recursos e abrir novas frentes de investigação sobre a movimentação financeira ligada ao parlamentar.
As apurações apontam indícios de ligação entre o dinheiro apreendido e duas empresas: a Ejus Empreendimentos Imobiliários e a Foco Engenharia e Incorporações Ltda. Segundo a investigação, ambas estariam registradas em nome de Jonas Keslley Gonçalves Umbelino e Jeocy Kenne Gonçalves Umbelino, apontados pela PF como possíveis "laranjas" responsáveis por movimentações financeiras consideradas complexas e suspeitas envolvendo recursos públicos.
Suposto imóvel vendido
Os investigadores também localizaram a escritura de compra e venda de um imóvel firmada entre Sóstenes Cavalcante e Thiago de Paula. Diante da confirmação da relação entre o parlamentar e o comprador, a PF vai apurar a capacidade financeira de Thiago para realizar a negociação e verificar eventual ligação entre a transação imobiliária e o dinheiro apreendido.
O pedido de quebra de sigilos foi apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificar movimentações financeiras consideradas suspeitas. A investigação busca aprofundar nos indícios da prática dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Origem da investigação
O caso teve origem na Operação Rent a Car, posteriormente desdobrada na Operação Galho Fraco II, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura um suposto esquema de desvio de recursos da cota parlamentar em benefício dos deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, ambos do PL do Rio de Janeiro.
As apurações estão direcionadas para entender a movimentação e destinação dos valores pagos por meio de contratos firmados com os recursos públicos.
As investigações começaram em 2024, inicialmente com foco em assessores parlamentares e empresários suspeitos de participação no esquema. Em dezembro do ano passado, a PF deflagrou a primeira fase da Operação Galho Fraco, quando cumpriu mandados de busca e apreensão contra Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy. Os dois parlamentares negam qualquer irregularidade.
No novo desdobramento da investigação, na manhã desta quarta-feira, agentes da Polícia Federal cumpriram novos mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais.
Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.



