Câmara derruba veto ao PL da Dosimetria e abre caminho para redução de pena para Bolsonaro
Veto de Lula feito ao projeto da oposição ainda precisa de aval do Senado, o que deve ocorrer ainda nesta tarde

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (30) a derrubada do veto feito presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto de lei que reduz as penas para condenados por crimes relacionados ao 8 de janeiro, o chamado PL da Dosimetria.
Com a derrubada do veto, a Câmara abriu caminho para que o Senado acompanhe a decisão e, portanto, dê aval para a decisão. Só assim a redução de penas entrará em vigor. Entre os principais pontos da proposta, estão:
- proibição da cumulação automática de penas quando os crimes forem praticados “no mesmo contexto”;
- possibilidade de considerar o crime como cometido em “contexto de multidão”, o que permite redução de pena de 1/3 a 2/3, caso não haja liderança nem financiamento;
- revisão das regras de progressão de regime e remição de pena, inclusive para regime domiciliar.
- O projeto foi elaborado com o objetivo de alcançar os condenados pelos crimes julgados no contexto do 8 de janeiro, o que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
No caso de Bolsonaro, a pena de 27 anos e 3 meses pode cair, já que fica proibida a cumulação, ou seja, a soma dos crimes de golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Neste caso, apenas a pena maior será aplicada.
Com isso, a estimativa do relator do texto, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), é que o tempo de prisão em regime fechado cairia para aproximadamente 2 anos e 4 meses.
A retroatividade da lei beneficia condenados cujas penas foram fixadas antes da nova lei, algo liberado pelo ordenamento jurídico se a mudança trouxer vantagem ao réu.
Isso também poderia acelerar a progressão de regime e até permitir regime domiciliar ou semiaberto mais cedo do que o previamente calculado.
Ontem, derrota no Senado
O Plenário do Senado Federal rejeitou na noite de quarta (29) a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, feita por Lula, para ocupar o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Trata-se da primeira vez desde 1894 que os senadores rejeitam uma indicação do presidente da República ao Supremo. Messias foi rejeitado por 42 votos a 34. A votação foi secreta.
O indicado de Lula precisava do apoio de ao menos 41 dos 81 senadores, a maioria absoluta.
Com a rejeição, o presidente terá de indicar um novo nome para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo, cuja nomeação depende de aval do Senado novamente. O processo começa com sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e se encerra com votação em plenário.
Agora, Lula deverá encaminhar um novo indicado, que precisará ser aprovado pela maioria absoluta dos senadores para assumir o cargo.
Repórter de política em Brasília. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), chegou na capital federal em 2021. Antes, foi editor-assistente no Poder360 e jornalista freelancer com passagem pela Agência Pública, portal UOL e o site Congresso em Foco.
Jornalista com trajetória na cobertura dos Três Poderes. Formada pelo Centro Universitário e Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb), atuou como editora de política nos jornais O Tempo e Poder360. Foi finalista do Prêmio CNT de Jornalismo em 2025. Atualmente, é coordenadora de conteúdo na Itatiaia na capital federal.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio





