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Derrubada do veto a dosimetria pode encurtar tempo de prisão de Bolsonaro

Condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe, ex-presidente poderá ter o direito de progressão de pena antes de 2033

Por, Brasília
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpre pena em regime domiciliar, em Brasília.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpre pena em regime domiciliar, em Brasília. • Alan Santos / PR

A nova derrota sofrida pelo governo Lula no Congresso pode beneficiar pessoalmente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Com a derrubada do veto presidencial ao chamado “PL da Dosimetria”, concluída nesta quinta-feira (30), o Congresso alterou as regras de cálculo de penas para crimes ligados aos ataques de 8 de janeiro de 2023. Mas a medida também abre caminho para uma eventual redução da pena de Bolsonaro e de outros condenados que articularam a tentativa de golpe de estado, segundo condenação do Supremo Tribunal Federal.

O que muda para Bolsonaro?

Hoje em prisão domiciliar por razões de saúde, Bolsonaro segue formalmente em regime fechado. Pelas regras anteriores, a progressão para o semiaberto só ocorreria por volta de 2033, segundo a Vara de Execuções Penais do Distrito Federal.

O texto cujo veto foi derrubado nesta quinta impede a soma de penas de crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Portanto, passa a prevalecer a punição do crime mais grave, com acréscimo que varia de um sexto até a metade. Além disso, a lei prevê redução de um a dois terços da pena para crimes cometidos em contexto de multidão, desde que não haja financiamento ou liderança.

O deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), um dos articuladores da derrubada do veto, afirmou que a mudança deve ter efeito imediato sobre os condenados pelos atos. Segundo ele, a nova regra também impacta diretamente o caso do ex-presidente.

“Na conta anterior não tinha prisão do Bolsonaro, estava em dois anos e quatro meses [para pedir a progressão de pena], mas agora tem esse período que ele cumpriu e também a remissão de pena. Eu calculo que deve estar sobrando um ano e seis meses [de prisão]”, afirmou.

Apesar disso, a eventual redução não será automática. Caberá ao Supremo Tribunal Federal reavaliar as penas caso a caso, mediante provocação da defesa, do Ministério Público ou de ministros relatores.

Na prática, a nova legislação cria uma possibilidade jurídica de encurtamento da pena, mas sua aplicação dependerá de decisões futuras da Corte.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio