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BR-381: obras de duplicação começam em trecho da ‘Rodovia da Morte’

Máquinas começaram nesta quarta-feira (15) o trabalho às margens da rodovia na altura de Ravena, distrito de Sabará

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BR-381. Obras no trecho entre Caeté e Sabará
BR-381. Obras no trecho entre Caeté e Sabará • João Felipe Lolli/Itatiaia

A tão aguardada obra de duplicação da BR-381, no trecho que ficou conhecido como ‘Rodovia da Morte’ pelo alto número de acidentes com mortes, começou a sair do papel nesta quarta-feira (15).

A reportagem da Itatiaia acompanhou o início do trabalho de duas máquinas que fazem o trabalho de retirada da vegetação e terraplenagem às margens da rodovia. Os dois tratores chegaram ao local na terça-feira (14) e os trabalhos começaram oficialmente nesta quarta-feira (15).

Prevista para começar no primeiro semestre do ano passado, a obra de duplicação no trecho de 18 quilômetros que vai de Caeté até Sabará (no distrito de Ravena) sofreu com atrasos e adiamentos.

A Construtora Luiz Costa (CLC), que venceu a licitação lançada pelo governo federal, é responsável pela duplicação do trecho.

Coordenador do Movimento Pró-Vidas 381, Clésio Gonçalves comemorou a retomada do projeto de duplicação e afirmou que é preciso garantir o cumprimento do contrato, com a finalização da obra em dois anos, até 2028.

"O movimento está na luta, cobrando essa duplicação. Desde 2023 estamos cobrando. Hoje, ver máquinas na pista é importante. Aqui, no Posto 30, temos um ponto crítico, a curva do Posto 30, que vem no final dessa reta. Aqui, há alguns anos, sete estudantes de Caeté morreram em um acidente com uma van. É fundamental a duplicação, que vai acabar com as batidas frontais", explica Clésio.

Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), foram reservados R$ 86 milhões no orçamento deste ano para a obra de duplicação no trecho. O valor total estimado para a conclusão da obra é de R$ 405 milhões.

Histórico de atrasos

A ordem de serviço para as obras de duplicação da BR-381 já foram assinadas pelo governo federal e pelo DNIT há mais de 10 anos. Em 2014, ano em que se reelegeu presidente da República, a então presidente Dilma Rousseff (PT) autorizou o início das obras na "Rodovia da Morte".

As empresas começaram os trabalhos para a duplicação, mas, com cortes orçamentários, a obra entrou em ritmo lento a partir de 2015 e foi completamente paralisada em vários trechos a partir de 2016.

Em 2019, o governo federal conseguiu concluir alguns trechos e liberou as primeiras partes da duplicação, no trecho entre Roças Novas e São Gonçalo do Rio Abaixo.

Concessão até Valadares

A concessionária Nova 381 é responsável pelas obras no outro trecho da BR-381 que vai de Caeté até Governador Valadares.

Desde o início de 2025, a empresa já é responsável pela manutenção da rodovia de Caeté até Governador Valadares, no Vale do Rio Doce. No trecho já foram instaladas cinco praças de pedágio, com valores entre R$ 12,10 e R$ 15,50.

O contrato prevê investimentos de mais de R$ 9,5 bilhões em infraestrutura e tecnologia em 30 anos de concessão, e a expectativa é gerar 80 mil empregos diretos e indiretos.

Concessionária vai assumir trecho até BH

A concessionária Nova 381 vai assumir nas próximas semanas a manutenção do trecho de 30 quilômetros da BR-381 entre Belo Horizonte e Caeté. Até agora a gestão do trecho está sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (DNIT), órgão do governo federal.

Inicialmente, o contrato previa que a concessionária só iria assumir a gestão do trecho após a conclusão das obras de duplicação, que continua sob responsabilidade do DNIT. O órgão federal também continua responsável pelo reassentamento e pelas desapropriações no trecho mais próximo da capital mineira.

Com a mudança, a concessionária passa a ser responsável pela manutenção da parte mais próxima à capital mineira, com recapeamento do asfalto, serviços de sinalização vertical e horizontal e roçada da vegetação às margens da rodovia.

 

 

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Mineiro de Urucânia, na Zona da Mata. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto (2024), mesma instituição onde diplomou-se jornalista (2013). Na Itatiaia desde 2016, faz reportagens diversas, com destaque para Política e Cidades.

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Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.