Bolsonaro indiciado: associação criminosa vendeu joias e incorporou dinheiro ao patrimônio do ex-presidente, diz PF
Inquérito da PF indicou que associação criminosa não usava bancos para evitar o rastreamento da origem ilícita do dinheiro

A Polícia Federal (PF) identificou a existência de uma associação criminosa formada por aliados de Jair Bolsonaro (PL) para desviar joias e peças valiosas do acervo da Presidência da República e incorporá-las ao patrimônio pessoal do ex-presidente. A informação consta no relatório da PF que levou ao indiciamento de Bolsonaro e onze aliados dele na última quinta-feira (4).
Nesta segunda (8), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou o sigilo do inquérito e expôs as informações coletadas pela polícia durante a investigação. Ele deu um prazo de 15 dias para a Procuradoria-Geral da República (PGR) analisar o documento.
A perícia da Polícia Federal constatou que as peças desviadas e negociadas pelo grupo valiam cerca de R$ 6,8 milhões. O valor de mercado, entretanto, é praticamente o quádruplo deste valor: R$ 25 milhões. Os objetos em questão foram dados à presidência brasileira pelos Emirados Árabes Unidos e pelo Reino do Bahreim; são eles:
- Esculturas douradas de um barco e uma árvore;
- Relógio Patek Philippe;
- Kit Ouro Branco (anel, abotoaduras, rosário islâmico e um relógio Rolex em ouro branco);
- Kit Ouro Rosé (caneta, anel, par de aboatudas, um rosário arábe e um relógio).
A investigação da PF identificou que a associação criminosa era composta pelo próprio presidente Jair Bolsonaro e por aliados diretamente ligados a ele:
- Bento Albuquerque — almirante e ex-ministro de Minas e Energia;
- Fabio Wajngarten — advogado e ex-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República;
- Frederick Wassef — advogado do ex-presidente;
- José Roberto Bueno Júnior — militar que enviou ofício para reaver joias;
- Julio Cesar Vieira Gomes — ex-secretário da Receita Federal;
- Marcelo Costa Câmara — ex-assessor do ex-presidente;
- Marcelo da Silva Vieira — chefe do Gabinete de Documentação Histórica da Presidência da República;
- Marcos André dos Santos Soeiro — ex-assessor do Ministério de Minas e Energia;
- Mauro Cesar Barbosa Cid — coronel e ex-ajudante de ordens da Presidência da República;
- Mauro Cesar Lourena Cid — pai de Mauro Cid e chefe do escritório da Apex em Miami;
- Osmar Crivelatti — ex-assessor de Jair Bolsonaro.
Repórter de política em Brasília. Na Itatiaia desde 2021, foi chefe de reportagem do portal e produziu série especial sobre alimentação escolar financiada pela Jeduca. Antes, repórter de Cidades em O Tempo. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais.
É jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Cearense criado na capital federal, tem passagens pelo Poder360, Metrópoles e O Globo. Em São Paulo, foi trainee de O Estado de S. Paulo, produtor do Jornal da Record, da TV Record, e repórter da Consultor Jurídico. Está na Itatiaia desde novembro de 2023.




