Após trocar defesa, Ciro Nogueira vai às redes e nega conluio com Banco Master
Senador do PP diz ser alvo de perseguição política, rebate suspeitas sobre a 'Emenda Master”'e afirma que investigação da PF 'não conseguirá comprovar' acusações

Após dispensar os advogados que o representavam na investigação da Operação Compliance Zero, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) publicou um vídeo nas redes sociais nesta terça-feira (12) para apresentar sua versão sobre as suspeitas de corrupção e conluio com o Banco Master - investigado pela Polícia Federal por supostas fraudes contra o sistema financeiro e outros crimes.
Na gravação, divulgada pelo perfil do PP no Instagram, o presidente da legenda negou ter recebido recursos ilícitos do Banco Master e afirmou que a investigação tem motivação política. “Nunca recebi nenhum valor ilícito ou cometi qualquer irregularidade”, disse.
O senador também questionou o fato de ter sido alvo da operação. “Por que começar esta operação por um líder da oposição?”, afirmou.
A investigação conduzida pela PF aponta que Ciro atuou em favor do Banco Master ao apresentar, em 2024, uma emenda à PEC 65 que ampliava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) por CPF e instituição financeira.
O FGC é uma entidade privada mantida pelos bancos e funciona como uma espécie de seguro para correntistas e investidores em caso de quebra de instituições financeiras. Para a PF, a mudança beneficiaria diretamente bancos médios com forte captação no mercado, como o Master, ao reduzir o risco das aplicações.
Mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro indicam que a proposta foi discutida internamente no banco antes de ser apresentada no Senado. Em uma das conversas reproduzidas na decisão do ministro André Mendonça, Vorcaro afirma que a emenda era “uma bomba atômica no mercado financeiro” e diz que o texto “saiu exatamente como mandei”.
Explicação sobre a 'Emenda Master'
No vídeo, Ciro tentou rebater as suspeitas envolvendo a chamada “Emenda Master” e manteve os argumentos usados desde o início da crise. Disse que o FGC “não tem recursos públicos” e negou que a proposta tivesse como objetivo beneficiar bancos.“O fundo garante quem? Os bancos? Não. Este fundo garante os correntistas”, afirmou.
O senador argumentou ainda que o valor atual da cobertura está congelado há 13 anos e afirmou que a resistência à mudança favorece os grandes bancos. “Até hoje, ninguém veio a público explicar por que este valor não é corrigido há 13 anos”, disse.
Segundo a PF, a apresentação da emenda foi o ponto de partida para aprofundar as suspeitas sobre a relação entre Ciro e Vorcaro. A investigação passou a mapear pagamentos mensais, operações societárias consideradas atípicas e despesas pessoais supostamente custeadas pelo banqueiro.
A decisão do STF menciona ainda a compra, por empresa ligada ao irmão do senador, de uma participação societária avaliada em cerca de R$ 13 milhões por R$ 1 milhão. Para os investigadores, os elementos apontam para um “arranjo funcional e instrumentalmente orientado para obtenção de benefícios mútuos”.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



