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André Mendonça desconfiava do PGR por proximidade com Gilmar Mendes, diz PF

Relatório da Polícia Federal (PF), citado em decisão do ministro Alexandre de Moraes, revela que André Mendonça tinha desconfiança de Paulo Gonet pela relação de proximidade com o decano do STF

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Flávio Dino, André Mendonça, e Alexandre de Moraes em sessão do STF nesta quinta-feira (3)
Flávio Dino, André Mendonça, e Alexandre de Moraes em sessão do STF nesta quinta-feira (3) • LUIZ SILVEIRA/STF

Um relatório de inteligência da Polícia Federal (PF) revela que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), desconfiava do procurador-geral da República, Paulo Gonet, devido à proximidade dele com o ministro decano Gilmar Mendes. O documento, citado nesta quinta-feira (3) em decisão de Alexandre de Moraes, questiona a atuação do magistrado na condução das operações Compliance Zero e Sem Desconto.

De acordo com o relatório, Mendonça avaliou que a proximidade de Gonet com Gilmar Mendes o tornaria "indigno de confiança", e chegou a cogitar arrolar o procurador-geral como testemunha em processos derivados das investigações.

"A proximidade com o ministro Gilmar Mendes o tornaria indigno de confiança, com manifestação de que provavelmente o arrolará, ao menos como testemunha, em processos derivados das operações", afirma o documento.

Procuradores do Ministério Público Federal já manifestaram constrangimento com Paulo Gonet em outras ocasiões, especialmente após o PGR pedir o arquivamento do relatório da PF que revela uma relação dele e de Moraes com Daniel Vorcaro.

O relatório também aponta avaliação semelhante sobre o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Mendonça teria afirmado reiteradamente que a proximidade de Rodrigues com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) era inadequada, impossibilitando a confiança nele.

Essas informações integram um conjunto de relatórios de inteligência que o ministro Alexandre de Moraes utiliza para embasar "fortes indícios" de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de Mendonça. Em meio à crise no STF, Mendonça se posicionou sobre a importância de honrar a confiança no Judiciário.

A decisão de Moraes nesta quinta-feira (3) amplia o embate entre os dois ministros. O depoimento de Daniel Vorcaro sem a presença da Polícia Federal foi um ponto de controvérsia que se conecta a este cenário. Moraes encaminhou os novos documentos ao presidente do STF, Edson Fachin, para as "providências que ele entender necessárias".

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