Em meio à crise no STF, Mendonça fala em ‘honrar confiança’ no Judiciário
André Mendonça evitou comentar caso Master, recentes revelações da PF e reunião entre ele e Vorcaro e exaltou importância de líderes religiosos para trazer consciência política à população

Em meio às repercussões provocadas pelos relatórios da Polícia Federal (PF) sobre as relações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça evitou comentar o assunto nesta quinta-feira (3), mas defendeu que integrantes do Judiciário devem “honrar a confiança” depositada pela população nas instituições.
A declaração foi feita durante um evento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a assinatura de um pacto com organizações religiosas que busca promover a “paz e tolerância” durante as eleições de 2026. Mendonça é vice-presidente da Corte Eleitoral e foi coanfitrião da cerimônia.
Em seu discurso, Mendonça afirmou que a eleição representa o momento em que todos os brasileiros são iguais, porque cada eleitor tem direito a um voto com o mesmo peso. Ao final, voltou a falar sobre a necessidade de preservar a confiança da população.
“Que Deus os abençoe nessa missão e nos abençoe, desse lado da mesa, a todos que representam o Poder Judiciário e o sistema de Justiça. Que nós possamos honrar a confiança que o povo, o cidadão, deposita em nós e em cada um dos senhores”, afirmou.
A fala ocorre, porém, em um momento de tensão dentro do Supremo. Mendonça é relator das investigações sobre o Banco Master e foi responsável pela quebra de sigilo de um relatório da PF que contém mensagens envolvendo Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
No dia seguinte, informações de uma reportagem do ILC Notícias mostram troca de conversas e articulação para acontecer um encontro entre Danoel Vorcaro e o próprio Mendonça. A reunião, que ocorreu em março de 2025, na sede do Iter, fundação que era presidida pelo ministro, foi confirmada. Nesta quinta, o magistrado deixou o comando da organização e ficará vinculado apenas como professor.
A condução de Mendonça nos inquériotos e as quebras de sigilo passaram a ser questionadas. A PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) levantaram objeções jurídicas sobre atos determinados pelo relator.
Líderes religiosos estão na ponta
Durante o discurso, Mendonça afirmou que quatro grupos de instituições são fundamentais para o desenvolvimento da sociedade: públicas, privadas, de ensino e pesquisa e sociais.
Segundo ele, as organizações religiosas fazem parte deste último grupo e conseguem chegar a locais onde a presença do poder público é limitada.
“Nas instituições sociais nós temos as igrejas, as instituições religiosas de todas as vertentes. Os senhores alcançam locais em que o Estado brasileiro não consegue alcançar. Os senhores estão, por vezes, onde não há saúde, não há psicólogo, não há segurança e os senhores são as grandes autoridades que preservam essa unidade social”, declarou.
Para Mendonça, o encontro representa um “marco de cooperação” entre as instituições.
O pacto assinado pelo TSE reúne representantes de diferentes religiões. Pelo documento, as organizações assumem o compromisso de repudiar violência política, discurso de ódio, discriminação, intolerância religiosa e perseguições motivadas por posições políticas, ideológicas ou crenças.
As entidades se comprometem, ainda, a incentivar a confiança no processo eleitoral e na legitimidade dos resultados das urnas.
Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.



