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Associação de PMs cobra posicionamento de Dino e Lula sobre morte de sargento em BH

Sargento Dias, da Polícia Militar, foi morto em serviço na última semana após ter sido baleado por preso que estava em saidinha temporária e não voltou para a prisão

Quase uma semana após o sargento da Polícia Militar (PM), Roger Dias da Cunha, ser baleado e morto em Belo Horizonte por um criminoso beneficiado pela “saidinha de fim de ano”, o Ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, e o Presidente Lula ainda não se manifestaram publicamente sobre o assunto. A cobrança foi feita à Itatiaia pelo presidente da Associação dos Praças Policiais e dos Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra), Heder Martins de Oliveira.

“Nós não vimos uma nota sequer do Ministério da Justiça e Segurança Pública sobre este caso. Ele está silente, inerte, covarde. Nós vimos um ou outro político fazendo, inclusive, discurso político sobre isso. Mas o Ministério da Justiça, o Ministro da Justiça e o Presidente da República não falaram absolutamente nada. Existe uma questão ideológica por trás disso e quem está pagando com a vida é o profissional de segurança pública. Não me interessa se é esquerda ou direita, eu quero é uma sociedade justa, igualitária e segura”, disse Heder Martins.

O presidente Lula e o ministro Flávio Dino também não enviaram notas oficiais diretas para o alto comando da Polícia Militar e nem mesmo para o comando do 13º batalhão da PM, unidade que o Sargento Dias fazia parte. As informações foram confirmadas pela Itatiaia com a porta-voz da Polícia Militar em Minas Gerais, major Laylla Brunella.

O sargento Dias, de 29 anos, foi morto com dois tiros na cabeça por Welbert de Souza Fernandes, de 25 anos, na última sexta-feira (5). O sargento desconfiou do comportamento de Welber e de seu comparsa, Geovanni Faria de Carvalho, de 33 anos, que estavam circulando em um carro pelas ruas do bairro Novo Aarão Reis, Região Norte da capital. Ao perceberem que estavam sendo perseguidos pela PM, os dois deram início a um processo de fuga e atropelaram um motociclista. Mesmo assim, eles não respeitaram a ordem de parada e fugiram a pé.

O sargento Roger Dias conseguiu alcançar Welbert. Ele deu ordem de parada diversas vezes. O criminoso deu a entender que se entregaria, mas no momento em que o policial se aproxima, ele saca uma arma e dispara quatro vezes - três tiros atingiram o sargento, sendo dois na cabeça e um na perna. O PM foi socorrido, mas morreu no hospital no último domingo (7).

Em Minas Gerais, vários deputados estaduais se manifestaram sobre o assunto. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), lamentou a morte do militar e disse que “o criminoso que devia estar atrás das grades, por força da lei, estava nas ruas e causou essa perda irreparável”. O secretário de Segurança Pública do Estado, Rogério Greco, foi ao enterro do militar na última terça-feira (9), no cemitério Bosque da Esperança, em BH. Em entrevista à Itatiaia, Greco classificou o caso como “absurdo”, criticou as saidinhas temporárias e afirmou que as leis brasileiras precisam ser reformuladas.

Na Assembleia Legislativa, deputados de direita, esquerda e centro se manifestaram sobre o assunto.

Com grande repercussão em Minas Gerais, o assunto da morte do Sargento chegou a Brasília. Vários deputados federais e senadores, inclusive o pesidente do Congresso Rodrigo Pacheco (PSD) lamentaram a morte do militar.

“Embora o papel da segurança pública seja do Executivo, e o de se fazer justiça, do Judiciário, o Congresso promoverá mudanças nas leis, reformulando e até suprimindo direitos que, a pretexto de ressocializar, estão servindo como meio para a prática de mais e mais crimes. Ou reagimos fortemente à criminalidade e à violência, ou o país será derrotado por elas, disse Pacheco.

Pacheco disse ainda que irá colocar para votação neste ano o projeto que está na Comissão de Segurança Pública do Senado e que pode extinguir o beneficio da saidinha temporária.

O assunto chegou ao primeiro escalão do Governo Lula. O Ministro de Minas Gerais e Energia, Alexandre Silveira (PSD), também lamentou a morte do militar.

“Lamento o falecimento do Sgt Roger Dias Cunha, após ter sido alvejado de forma covarde, por um condenado da Justiça. Meus sinceros sentimentos e apoio aos familiares. “Quando um policial tomba no dever de servir e proteger, tomba junto com ele seus irmãos policiais e a sociedade”, ressaltou Silveira.

A Itatiaia levou o questionamento da Associação dos Policiais ao Ministério da Justiça há três dias. A equipe de Flávio Dino (PSB) ainda não respondeu porque a pasta e nem o próprio ministro se manifestaram sobre o assunto.

Repórter de política na Rádio Itatiaia. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. Em Belo Horizonte, teve passagens pelas rádios Alvorada, BandNews FM e CBN. No Grupo Bandeirantes de Comunicação, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na BandNews FM BH. Cobriu as tragédias ambientais da Samarco, em Mariana, e da Vale, em Brumadinho. Vencedor de 8 prêmios de jornalismo. Em 2023, venceu o Prêmio Nacional de Jornalismo CNT.
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