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Policiais federais planejam paralisação para reivindicar reestruturação da carreira

Policias contestam a demora do Governo Federal para aprovar um plano de reestruturação da carreira enviado no início do ano

Policiais federais protestam, nesta quinta-feira (26), a favor da aprovação de uma proposta de reestruturação das carreiras. A manifestação, apelidada de “Dia D”, vai acontecer em diversas superintendências regionais e unidades da Polícia Federal em todo o Brasil.

Em carta enviada à imprensa, os policiais afirmam que há uma “falta de compromisso” do Governo Federal com a proposta da PF e Ministério da Justiça de valorização as carreiras. A insatisfação ocorreu após uma reunião entre as entidades e a Secretaria de Relações do Trabalho do Ministério da Gestão e Inovação ter sido cancelada na última segunda-feira (16).

Ainda conforme os policiais, o protesto desta quinta-feira será apenas o primeiro de um calendário aprovado em assembleias da instituição. Entre os dias 6 e 10 de novembro, ocorrerá um ato durante a sessão solene da Câmara dos Deputados em comemoração ao Dia do Policial Federal. Já no dia 16 de novembro está marcada uma paralisação em frente ao Ministério da Justiça, em Brasília, e nas unidades da PF pelo território nacional.

“Após o dia 26, as entidades vão avaliar todas as possibilidades, ouvindo as bases, que estão indignadas com os acontecimentos. Tudo vai depender de atos concretos. Já passou da hora dos governantes entenderem que é preciso olhar para a Polícia Federal como uma instituição que tem um papel fundamental para o país, sobretudo nos momentos de crise da segurança pública. Isto que está acontecendo, mais uma vez, é um total descaso com o componente humano da PF”, afirmou o presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Luciano Leiro.

Reivindicações

Os policiais denunciam uma falta de diálogo com o Governo Federal, que estaria demorando para apreciar a proposta de reestruturação das carreiras. A entidade destaca, ainda, que em pelo menos 10 estados policiais civis possuem uma remuneração maior do que as dos delegados da PF.

Outro descontentamento da classe seria o excesso de atribuições aos policiais, como controle das armas, apostas, segurança de autoridades, combate aos crimes ambientais e organizado, além do aumento da demanda e risco para a vida do servidor. Em contrapartida, estariam faltando equipamentos e proteção.

A proposta apresentada pelo órgão que trata da reestruturação da carreira foi enviada ao Ministério da Justiça no início do ano. Na época, o ministro Flávio Dino aprovou o documento e o encaminhou ao Ministério da Gestão e Inovação, que ainda não chegou a uma conclusão.

Na última semana, ao cancelar o encontro com o setor, o Secretário de Relações do Trabalho do MGI, José Lopez Feijóo justificou que, como o governo ainda não decidiu como encaixar a proposta no orçamento, não teria motivos para realizar o encontro.

A Itatiaia pediu um posicionamento ao Ministério da Gestão e Inovação, que esclareceu o seguinte:

“O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos do governo federal reinstalou no começo deste ano a Mesa Permanente de Negociação com os servidores públicos. O primeiro acordo fechado este ano de 9% para todos os servidores, inclusive os policiais federais.

No segundo semestre, teve início o debate sobre reajuste para o próximo ano. Como parte desse processo, no mês passado, foram abertas 10 mesas específicas para tratar de algumas carreiras. Entre elas, no dia 11/setembro, foi aberta a mesa específicas para as demandas dos cargos das carreiras policiais.

Nessa ocasião, a categoria apresentou proposta de reajuste que está em análise na secretaria de Relações de Trabalho.

Como anunciado na Mesa Nacional, o governo ainda estuda as possibilidades de ampliação do orçamento previsto na PLOA para reestruturação das carreiras. Neste momento há fortes limitações nesse sentido. Em breve, será agendada nova reunião para dar continuidade ao debate”.

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