Vermes de cães podem infectar humanos e exigem prevenção dentro de casa

Transmissão ocorre principalmente quando ovos do parasita presentes no ambiente contaminado entram em contato com o organismo humano

Esse tipo de contaminação costuma ocorrer em solos contaminados por fezes de cães, principalmente em praças, parques e quintais

Parasitas intestinais em cães não representam risco apenas para os animais. Algumas espécies de vermes podem ser transmitidas aos seres humanos, causando zoonoses, doenças que passam dos animais para as pessoas. Um dos exemplos mais conhecidos é o Toxocara canis, responsável pela chamada larva migrans visceral ou ocular.

De acordo com o Ministério da Saúde, a transmissão ocorre principalmente quando ovos do parasita presentes no ambiente contaminado entram em contato com o organismo humano. A pasta explica, em material educativo, que a infecção acontece quando “ovos embrionados do parasita são ingeridos acidentalmente, liberando larvas que podem migrar pelos tecidos humanos”.

Esse tipo de contaminação costuma ocorrer em solos contaminados por fezes de cães, principalmente em praças, parques e quintais. Crianças são consideradas o grupo mais vulnerável por terem maior contato com o chão e levarem as mãos à boca com frequência.

O Toxocara canis é comum em cães, principalmente filhotes. Quando ingeridos por humanos, os ovos liberam larvas que não conseguem completar seu ciclo no organismo humano, mas podem migrar por diferentes órgãos.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) explica que, nesses casos, ocorre a síndrome da larva migrans visceral. Segundo a instituição, “as larvas podem atingir órgãos como fígado, pulmões e olhos, e causar inflamações e outros sintomas clínicos”.

Outro grupo de parasitas associado à transmissão para humanos são os ancilostomídeos (Ancylostoma spp.). Esses vermes podem causar a larva migrans cutânea, conhecida popularmente como “bicho geográfico”, caracterizada por lesões serpiginosas na pele.

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Vermifugação protege a saúde da família

A prevenção começa com o cuidado regular com o animal de estimação. “A vermifugação periódica e o acompanhamento veterinário são medidas essenciais para prevenir doenças que podem atingir tanto os animais quanto os seres humanos”, informa o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV).

Manter o protocolo de vermifugação atualizado reduz a eliminação de ovos de parasitas no ambiente e, consequentemente, diminui o risco de transmissão.

A Itatiaia listou algumas práticas básicas para interromper o ciclo desses parasitas. Elas aparecem em materiais de prevenção divulgados pelo Ministério da Saúde e por conselhos veterinários brasileiros:

  • vermifugar cães regularmente, seguindo orientação veterinária;
  • recolher e descartar corretamente as fezes dos animais;
  • lavar as mãos após contato com o pet ou com o solo;
  • evitar que crianças brinquem em locais contaminados por fezes;
  • levar o pet para consultas veterinárias periódicas para controle de parasitas.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

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