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Primeiro porco clonado no Brasil morre e será preservado em museu da USP

Suíno nasceu em Piracicaba (SP) e fazia parte de pesquisa que busca desenvolver transplantes de órgãos de animais para seres humanos

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porco clonado no brasil
USP/Divulgação

O primeiro porco clonado no Brasil, criado dentro de uma pesquisa voltada ao desenvolvimento de transplantes de órgãos de animais para seres humanos, morreu no fim de julho, entretanto a informação só foi divulgada nos últimos dias. O animal tinha quase quatro meses de vida, era considerado saudável e havia cumprido os objetivos previstos para a primeira etapa do estudo.

A morte foi confirmada pelo pesquisador Ernesto Goulart, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e responsável pelo projeto. Segundo ele, o fim do animal já estava previsto no protocolo científico, mas acabou sendo antecipado em aproximadamente dois meses devido às dificuldades financeiras enfrentadas pela pesquisa.

O porco nasceu em abril de 2026, no Instituto de Zootecnia de Piracicaba, no interior de São Paulo. Depois, foi levado para as instalações da USP na capital paulista, onde passou a ser acompanhado pela equipe de pesquisadores.

Animal era considerado saudável

Uma das principais metas da primeira etapa era acompanhar o desenvolvimento do porco e verificar se ele apresentaria condições adequadas de saúde, inclusive durante o processo de maturação.

"O objetivo era acompanhar a saúde dele para saber se era um animal saudável, se ia desenvolver até mesmo a competência sexual. E o animal cumpriu todos os requisitos. Ele era um animal muito saudável", explicou Ernesto Goulart ao site de notícias G1.

Apesar da antecipação, o pesquisador afirmou que a decisão não prejudicou os dados obtidos durante o estudo.

A clonagem de suínos é considerada uma técnica de grande complexidade. Para os pesquisadores, o nascimento do animal representou uma etapa importante porque demonstrou que o protocolo desenvolvido pela equipe brasileira apresentou resultados positivos.

Porco será exposto no Museu de Zoologia da USP

Depois da morte, o animal passará por um processo de taxidermia, conhecido popularmente como "empalhamento". A intenção dos pesquisadores é preservar o porco como um registro de um momento importante da ciência brasileira.

Após o procedimento, o exemplar será levado para o Museu de Zoologia da USP, em São Paulo, onde ficará exposto ao público.

A equipe responsável pelo projeto também conseguiu produzir um segundo porco clonado. Nesse caso, porém, o animal morreu um dia depois do nascimento. Segundo o pesquisador, esse tipo de ocorrência está entre os desafios técnicos envolvidos na clonagem.

Pesquisa enfrenta dificuldades financeiras

O projeto começou a ser estruturado entre o fim de 2019 e o início de 2020 e envolve diferentes instituições. Para desenvolver a técnica, pesquisadores brasileiros passaram por treinamentos em diferentes países.

A pesquisa recebe recursos estaduais e federais, mas o congelamento de parte do financiamento federal prejudicou o andamento dos trabalhos. Segundo o pesquisador, a falta de verba afeta desde a manutenção da infraestrutura até o pagamento de funcionários e a alimentação dos animais.

No início deste ano, a equipe contava com cerca de 40 profissionais, muitos deles com doutorado e experiência na área. Com a redução dos recursos, parte desses profissionais precisou deixar o projeto.

"É um prejuízo muito grande porque é um ativo intelectual muito difícil de ser recuperado", afirmou Goulart, ainda ao G1.

O Ministério da Saúde informou que a pesquisa faz parte do Programa Genomas Brasil, iniciativa voltada ao desenvolvimento e à incorporação de avanços genéticos e moleculares em tratamentos personalizados no Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o ministério, foram aprovados R$ 11,6 milhões para o projeto, dos quais R$ 6,15 milhões já foram liberados. Os recursos são repassados por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A pasta explicou que "a liberação é condicionada ao cumprimento do cronograma de metas, à aprovação das prestações de contas das etapas já executadas e à disponibilidade orçamentária do exercício vigente".

Próxima etapa é criar porcos geneticamente modificados

O domínio da clonagem é considerado pelos pesquisadores uma etapa necessária para o avanço do projeto. O próximo objetivo é produzir porcos geneticamente modificados que possam, futuramente, fornecer órgãos para transplantes em seres humanos.

Essa área da ciência é conhecida como xenotransplante, que estuda a possibilidade de utilizar órgãos de animais em pessoas. Pesquisas semelhantes vêm sendo desenvolvidas há décadas por países como Estados Unidos e China.

A equipe brasileira acredita que o país tem potencial para avançar nessa área e alcançar uma posição de destaque internacional.

"A gente tem a possibilidade real de tornar o Brasil simplesmente o terceiro país no mundo a conseguir fazer um xenotransplante em humanos", avaliou Ernesto Goulart.

Mesmo com as dificuldades financeiras, os pesquisadores afirmam manter a expectativa de dar continuidade ao trabalho assim que os recursos necessários forem liberados.

O projeto também pretende dar sequência ao trabalho iniciado pelo professor Silvano Raia, considerado um dos principais mentores da pesquisa e que morreu em 28 de abril de 2026.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

 

 

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