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Vaticano autoriza católicos a receber transplante de órgãos de animais

Documento permite sacrifício de animais somente para benefício da espécie humana, de forma sustentável

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Veterinarian leaning on the cage fence and observing pigs at pig farm and checking their health and growth.
Porcos são os principais animais usados em xenotransplantes • Freepik

O Vaticano publicou nesta terça-feira (24) um documento autorizando os católicos a receber transplantes de tecidos e órgãos de animais. O texto de 88 páginas atualiza perspectivas sobre xenotransplantes divulgadas inicialmente em 2001.

“A teologia católica não apresenta impedimentos, de natureza religiosa ou ritual, quanto à utilização de qualquer animal como fonte de órgãos, tecidos ou células para transplante em seres humanos”, diz o documento.

A publicação ainda diz que o sacrifício de animais “só pode ser justificado se for necessário para alcançar um benefício importante para a pessoa humana”. Porém, o Vaticano ressalta que a intervenção humana na natureza deve ser “proporcionada e sustentável”.

A instituição ressalta que houve um debate multidisciplinar para elaborar o documento. “Concluímos este documento com a sincera esperança de que o esforço dedicado a este estudo por aqueles que nele participaram - cientistas, médicos, juristas, teólogos e bioeticistas - represente uma contribuição concreta para o debate sobre o importante tema do xenotransplante".

O que é xenotransplante

Xenotransplante é o nome dado ao transplante de órgãos entre espécies diferentes. O transplante de órgãos e tecidos de porcos para humanos é o tipo mais estudado, já que o animal é considerado pelos cientistas como um dos melhores doadores.

O principal desafio no processo é o risco de rejeição dos órgãos. O famoso estudo de clonagem com a ovelha Dolly, no final dos anos 1990, permitiu silenciar os genes identificados como incompatíveis com os humanos, diminuindo os casos de rejeição.

O primeiro passo para realizar o xenotransplante é justamente este: silenciar os genes dos suínos que causam rejeição hiperaguda em humanos. Depois, as células dos porcos são transferidas para óvulos de matrizes, que darão origem a embriões sem os genes que provocam a rejeição. Os embriões geneticamente modificados são inseridos em porcas, e nascem os leitões aptos a doar órgãos.

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.