Pouco documentado, tubarão Freycineti nasce no AquaRio e marca avanço para a ciência
Nascidos sem intervenção humana, filhotes são acompanhados e podem fornecer dados inéditos sobre a espécie, que possui poucas informações na literatura científica

O Aquário Marinho do Rio de Janeiro (AquaRio), localizado na capital fluminense, registrou um feito inédito na biologia marinha com o nascimento de filhotes do tubarão Freycineti (Hemiscyllium freycineti), uma espécie cuja reprodução em cativeiro nunca havia sido documentada.
Sem qualquer intervenção no processo de fertilização, a equipe do aquário acompanhou o desenvolvimento natural dos embriões por cerca de cinco meses, dedicando cuidados específicos aos filhotes após o nascimento.
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Desafios
Devido à limitação de informações sobre a biologia e ecologia da espécie, a equipe de veterinária e nutrição do AquaRio precisou adaptar protocolos utilizados com outras espécies de tubarão para garantir a sobrevivência dos recém-nascidos.
Entre os desafios enfrentados estavam a definição de uma dieta adequada e o monitoramento do crescimento dos filhotes, que inicialmente foram alimentados com uma dieta especial desenvolvida internamente.
Esses dados são essenciais para ampliar o conhecimento sobre a espécie, classificada como “Quase Ameaçada” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
Os visitantes do AquaRio podem acompanhar de perto essa conquista no setor Pequenas Riquezas, onde os filhotes estão expostos ao público.
Além disso, a equipe do aquário planeja ações educativas para compartilhar os avanços da pesquisa e conscientizar sobre a importância da conservação marinha.
Embora a reintrodução desses tubarões na natureza não seja viável no momento, o estudo contínuo dessa reprodução inédita pode abrir caminho para futuras pesquisas e colaborações científicas.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



