O perigo pode estar nas patinhas: entenda o que é a pododermatite em cães e gatos
Quando não tratado, o quadro pode evoluir de uma simples vermelhidão para feridas profundas, infecções bacterianas e até dificuldade de locomoção

Muitos tutores, quando vêem aquele hábito do pet de lamber as patas, pensam ser apenas um comportamento de higiene ou tédio. Mas na verdade, a lambedura persistente é o principal sinal de alerta para a pododermatite interdigital, uma inflamação que atinge a pele entre os “dedos” e as almofadas plantares, chamadas de coxins. Quando não tratado, o quadro pode evoluir de uma simples vermelhidão para feridas profundas, infecções bacterianas e até dificuldade de locomoção.
O surgimento da pododermatite está frequentemente ligado a um ciclo de irritação e resposta. De acordo com especialistas em dermatologia veterinária, a umidade constante causada pela saliva altera o pH da pele, favorecendo a proliferação de fungos e bactérias.
"A lambedura excessiva geralmente é o sintoma de algo maior, como alergias alimentares, dermatite atópica ou até ansiedade. O animal lambe para aliviar o desconforto, mas acaba gerando uma lesão ainda maior", explicam os profissionais da plataforma PetDerma, especializados em dermatologia veterinária.
Causas, diagnósticos e o risco da umidade nas patas
O diagnóstico preciso é importantíssimo, pois o tratamento varia muito conforme a causa. Segundo o Guia de Vigilância em Saúde Animal, o uso de medicações por conta própria, como pomadas humanas, pode mascarar infecções por leveduras (como a Malassezia) ou sarnas localizadas.
Além do tratamento medicamentoso, que pode incluir antibióticos ou antifúngicos, a medicina veterinária moderna foca no controle ambiental: deixar as patas do pet sempre secas após passeios e usar sapatinhos protetores em superfícies ásperas.
A Itatiaia resumiu os principais pontos de atenção para os tutores:
- Sinal de alerta: Lambedura constante, vermelhidão entre os dedos, inchaço e escurecimento dos pelos nas patas. A saliva mantém a região úmida e cria o ambiente perfeito para a proliferação de fungos e bactérias.
- As causas comuns são alergias alimentares ou de contato, estresse e ansiedade, picadas de ectoparasitas, como pulgas e carrapatos ou perfurações por espinhos ou cacos de vidro.
- Seque sempre as patas do pet após o banho ou passeios na chuva; evite o uso de produtos de limpeza fortes em locais onde o animal circula.
- Nunca use pomadas sem prescrição; o veterinário precisa fazer exames de citologia para identificar se a causa é fúngica, bacteriana ou alérgica para conduzir o tratamento ideal para o pet.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



