Saiba como transportar calopsitas de forma segura e confortável

O transporte de animais silvestres, mesmo domesticados, deve respeitar regulamentações específicas

Boas práticas no transporte de calopsitas contribui não apenas para a segurança da ave, mas também para a tranquilidade do tutor

Transportar calopsitas exige cuidados específicos para garantir o bem-estar e a segurança da ave.

Seja para uma consulta veterinária ou uma mudança de residência, a forma como esse deslocamento é feito pode impactar diretamente a saúde física e emocional do animal.

Por serem aves sensíveis, as calopsitas podem apresentar sinais de estresse facilmente, como alerta a Organização Mundial da Saúde Animal (WOAH): “o transporte de animais vivos deve minimizar dor, sofrimento e estresse, sendo essencial respeitar as necessidades fisiológicas e comportamentais de cada espécie”.

Leia também

Passos para um transporte seguro e tranquilo

O primeiro passo para transportar uma calopsita de maneira segura é escolher uma caixa apropriada. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) recomenda que “as gaiolas ou caixas de transporte devem ser robustas, ventiladas e de tamanho adequado para permitir que o animal fique em posição natural”.

O ideal é que a caixa seja confortável e possibilite que a ave fique ereta e consiga se mover, mas sem espaço excessivo que favoreça deslocamentos bruscos durante o transporte.

Além disso, a ventilação é fundamental. O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) orienta: “o transporte de aves deve garantir ventilação suficiente para evitar estresse térmico”. Por isso, caixas fechadas com pequenas aberturas laterais são as mais indicadas, pois evitam tanto correntes de ar quanto superaquecimento.

Outro aspecto importante é forrar o fundo da caixa com papel toalha ou material absorvente para reter dejetos e proporcionar mais estabilidade à ave. Tutores devem evitar poleiros, brinquedos ou recipientes com água na caixa de transporte. Isso porque podem causar acidentes ou molhar a plumagem, o que deixará a ave mais desconfortável.

Barulhos altos, movimentação excessiva e mudanças bruscas de temperatura podem causar estresse e impactando negativamente na saúde da ave. Segundo a Associação Brasileira de Veterinários de Animais Selvagens (Abravas), “o estresse no transporte pode predispor as aves a quadros respiratórios e digestivos”.

Para minimizar esses riscos, algumas práticas são recomendadas:

  • Escolher horários mais tranquilos do dia e evitar períodos de maior calor ou movimento;
  • Cobrir parcialmente a caixa com um pano leve, para reduzir estímulos visuais e promover sensação de segurança;
  • Manter a caixa na posição horizontal para evitar solavancos.

É importante também evitar oferecer alimentos ou água pouco antes ou durante o transporte, pois a movimentação pode causar enjoo ou aspiração. Antes de qualquer deslocamento, é fundamental realizar uma avaliação prévia com um médico-veterinário especializado em aves.

De acordo com o Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP), essa avaliação é ainda mais importante em viagens longas, que podem demandar planejamento adicional, como paradas para descanso ou controle de temperatura.

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.

Ouvindo...