Governo de Minas detalha ações após incidentes em áreas de mineração em Congonhas e Ouro Preto

Coletiva detalhou multas, medidas de contenção e monitoramento ambiental em empreendimentos da Vale

Em vídeo publicado nas redes sociais, prefeito de Congonhas mostra sump onde houve extravasamento com barragem ao fundo

Governo de Minas Gerais apresentou, nesta quinta-feira (29/1), um balanço detalhado das ações adotadas após os eventos registrados em áreas de mineração nos municípios de Congonhas e Ouro Preto. As informações foram repassadas durante coletiva de imprensa realizada no Prédio Alterosas, na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte.

A coletiva foi conduzida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), com a participação do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec-MG) e da Polícia Militar de Meio Ambiente de Minas Gerais.

Segundo o subsecretário de Fiscalização Ambiental da Semad, Alexandre Leal, desde o primeiro momento o Estado atuou de forma integrada para identificar os danos ambientais, garantir a segurança da população e definir medidas emergenciais de contenção. Os eventos ocorreram em empreendimentos da Vale, sendo um na Mina Fábrica, em Ouro Preto, e outro na Mina Viga, em Congonhas.

De acordo com o superintendente de Fiscalização Ambiental da Semad, Gustavo Hendrigo, o incidente na Mina Fábrica ocorreu na madrugada de domingo (25/1), por volta de 1h40, na chamada Cava 18. Uma erosão provocou o rompimento de uma estrutura interna de contenção, resultando no extravasamento de cerca de 262 mil metros cúbicos de água com sedimentos de mineração.

O material percorreu a linha de drenagem da área, atingiu estruturas de contenção conhecidas como sumps e alcançou áreas da mineradora vizinha CSN, além de cursos d’água da região. Foram registrados assoreamento e aumento significativo da turbidez da água, com níveis que chegaram a ultrapassar em até 30 vezes os limites estabelecidos pela legislação ambiental.

Como medidas imediatas, o órgão ambiental determinou a suspensão cautelar da deposição de rejeitos na Cava 18, o monitoramento contínuo da qualidade da água e a apresentação de um plano de recuperação das áreas degradadas (PRAD). A Vale foi autuada em duas ocasiões: por poluição ambiental, agravada por impactos em propriedades de terceiros, e por não comunicar o evento ao órgão ambiental dentro do prazo legal. As multas somam aproximadamente R$ 1,3 milhão.

No município de Congonhas, o evento envolveu o deslizamento de um talude natural, que atingiu uma linha de drenagem composta por 22 Estruturas de Armazenamento de Material e Produtos (SAMPs). Essas estruturas, projetadas para reter sedimentos e preservar a qualidade da água, não suportaram o grande volume de material carreado pelas chuvas intensas.

Houve aumento da turbidez dos cursos d’água da região, com impactos identificados até o Rio Maranhão, afluente do Rio Paraopeba. Como resposta, a Semad determinou a suspensão cautelar de todas as atividades operacionais da Mina Viga, com exceção das ações de controle ambiental, além do desassoreamento das SAMPs, monitoramento da água e apresentação de relatórios técnicos detalhados. Quatro estruturas já haviam sido desassoreadas até a noite de quarta-feira (28/1). A multa aplicada neste caso é de aproximadamente R$ 400 mil.

A Defesa Civil Estadual informou que não houve vítimas nem danos a comunidades próximas, com os impactos restritos às áreas operacionais das empresas envolvidas. Equipes estaduais e municipais permanecem em campo, acompanhando a situação em tempo integral, especialmente diante da previsão de novas chuvas.

O Corpo de Bombeiros Militar destacou que sua atuação priorizou a preservação da vida e o monitoramento de possíveis riscos, não sendo identificado risco iminente à população em nenhum dos dois eventos. A Polícia Militar de Meio Ambiente realizou registros de ocorrência, vistorias e sobrevoos com drones para mapear a extensão dos danos ambientais.

Durante a coletiva, os órgãos reforçaram que nenhuma barragem de mineração foi afetada pelos incidentes e que essas estruturas seguem sendo monitoradas 24 horas por dia. Até o momento, não foi constatado comprometimento de pontos de captação de água para abastecimento.

A Vale deverá apresentar, nos próximos dias, relatórios técnicos completos sobre as causas dos eventos, cronogramas de recuperação ambiental e estudos complementares sobre a qualidade da água e dos sedimentos. O Governo de Minas informou que continuará fiscalizando as ações e que todos os danos ambientais deverão ser integralmente reparados, conforme determina a legislação vigente.

Em nota, a Vale informou que os extravasamentos de água registrados no último domingo (25/1), nos municípios de Congonhas e Ouro Preto, foram contidos e que não houve feridos, nem impactos à população ou às comunidades próximas.

A empresa ressaltou que os episódios não têm qualquer relação com barragens de mineração, que, segundo a mineradora, seguem sem alterações em suas condições de estabilidade e segurança, sendo monitoradas 24 horas por dia. A Vale afirmou ainda que não houve carreamento de rejeitos de mineração, mas apenas de água com sedimentos naturais (terra).

De acordo com a nota, a companhia realiza periodicamente ações preventivas de inspeção e manutenção de suas estruturas, reforçando esses procedimentos durante o período chuvoso. As causas dos extravasamentos seguem em apuração e, segundo a empresa, os aprendizados obtidos com os episódios serão incorporados aos planos de contingência para chuvas intensas.

A Vale informou, por fim, que permanece à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.

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Bruna Truocchio
Bruna Truocchio
Bruna Truocchio é repórter da Rádio Itatiaia Ouro Preto e apresentadora do jornal local. Formada em Jornalismo pela Universidade Estácio de Sá, tem pós-graduações em Filosofia e Marketing Digital.

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