Um encontro carregado de simbolismo, memória e afeto está sendo organizado para marcar a história de uma das mais tradicionais manifestações culturais de Ouro Preto. Por iniciativa do fundador da Bandalheira, Virgílio Augusto Alves, será realizado o Bandalheira 60+, um encontro da velha guarda que propõe muito mais do que música: a preservação da memória viva da banda e o reencontro de quem ajudou a construir essa trajetória ao longo de mais de cinco décadas.
O evento não se configura como bloco carnavalesco nem como desfile oficial. A proposta é clara: trata-se de um encontro afetivo e simbólico, pensado para reunir amigos, admiradores, ex-integrantes e integrantes históricos que fizeram da Bandalheira um patrimônio imaterial da cidade. A iniciativa surge em meio a um impasse que envolve a Bandalheira, marcado por divergências internas, questionamentos sobre rumos e pelo distanciamento entre gerações que ajudaram a erguer a história da banda.
Diante desse cenário, o Bandalheira 60+ surge como um gesto de resistência cultural e emocional. Para o fundador, a essência da banda sempre esteve nas pessoas, nas relações construídas ao longo do tempo, e não apenas em estruturas formais ou cargos. “A história da Bandalheira não pertence a uma diretoria, pertence às pessoas que viveram e vivem essa história”, é o sentimento que move o encontro.
Conduzido pelo próprio Comandante Virgílio, o evento também se configura como uma homenagem às origens da Bandalheira e àqueles que, com dedicação e paixão, mantiveram viva a música, a convivência e o espírito de família que sempre caracterizaram o grupo. A participação ativa é voltada especialmente ao público 60+, valorizando a experiência e a contribuição histórica dessa geração, sem excluir o caráter aberto e acolhedor do encontro.
A organização faz questão de ressaltar que o Bandalheira 60+ não possui qualquer envolvimento com a atual diretoria ou com a estrutura formal da banda, justamente por nascer como resposta ao atual impasse vivido. Os participantes que desejarem tocar deverão levar seus próprios instrumentos, reforçando o espírito espontâneo, colaborativo e independente da iniciativa.
Mais do que reviver o passado, o Bandalheira 60+ propõe manter viva a memória, fortalecer vínculos e reafirmar valores que sempre sustentaram a história da banda: amizade, respeito e pertencimento. Em tempos de conflitos e incertezas, o encontro se apresenta como um lembrete de que as verdadeiras histórias continuam sendo contadas sempre que as pessoas decidem se reunir.