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'Competitividade será corroída', reagem em bloco entidades do setor industrial sobre tarifaço

Representantes da indústria avaliam que a medida imposta por Washington afetará exportadores brasileiros e também empresas e consumidores norte-americanos

PorBrasília
Exportações na indústria
Pauta exportadora brasileira é estratégica, concentrando-se em commodities como carnes, açúcar, milho, soja e minério • Freepik

Entidades do setor industrial brasileiro manifestaram preocupação, nesta quinta-feira (16), sobre o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos da América (EUA) ao Brasil. Nas notas divulgadas há um consenso de que a decisão causará perda competitiva. As instituições, inclusive a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), alertam para o aumento de dificuldades sobre o mercado exportador do Brasil.

As manifestações correspondem à aplicação da taxação de 25% sobre produtos brasileiros imposta pelos EUA, anunciada na quarta-feira (15). A medida passa a valer, segundo o governo norte-americano, a partir do dia 22 de julho.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, alertou que já no primeiro trimestre houve a redução nas exportações em 13% (-$2,6 bilhões), o que afetou 20 dos 27 estados brasileiros.

“O cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos”, disse Alban.

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), que esteve na audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em Washington, afirmou que na ocasião apresentou argumentos técnicos consistentes sobre os impactos da nova tarifa sobre o país. Por isso, considera a decisão um “retrocesso”.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, relembrou que a medida “inviabiliza operações que estavam sendo retomadas desde o fim da tarifa adicional de 40%”, em fevereiro deste ano.

“Trata-se de uma medida que penaliza não apenas os exportadores brasileiros, mas também importadores, marcas, varejistas e consumidores norte-americanos, dada a interdependência produtiva e comercial entre os dois países”, explicou.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que também representou o Brasil nas audiências, acredita que a medida foi uma “retaliação” à condução do governo federal. Para a instituição, a situação poderia “ter sido evitada com uma condução técnica e pragmática”.

“Em um momento de extrema sensibilidade econômica mundial, a opção do governo brasileiro por ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington acabou por minar vínculos construídos ao longo de mais de 200 anos de cooperação bilateral”, criticou.

Já a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), apesar de lamentar a perda de competitividade brasileira, citou que o verdadeiro impacto só poderá ser medido após a informação de como países concorrentes do Brasil serão tratados pelos EUA.

De toda forma, para eles, a medida estabelecida já restringe o acesso dos produtos brasileiros ao mercado americano. “As possíveis consequências podem ser a substituição de fornecedores brasileiros, a pressão pela redução de preços e margens e a renegociação de contratos, prazos e condições comerciais”, listou.

Por isso, é necessário “ter clareza” sobre “os prazos de implementação da medida e o tratamento dos contratos em andamento” para reduzir as incertezas do mercado.

A preocupação da Câmara Americana de Comércio (Amcham) com a aplicação das sobretaxas é “elevar custos para as empresas e consumidores dos Estados Unidos” e a ampliação da dependência americana de fornecedores asiáticos.

Eles acreditam que o novo cenário tem “potencial para agravar o déficit comercial norte-americano com países daquela região [asiática].”

“Além disso, ela [as taxas impostas] limita as oportunidades de cooperação entre o Brasil e os Estados Unidos em áreas estratégicas, como minerais críticos, energia, economia digital e propriedade intelectual”, acrescentou.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) foca nos fatores alegados pela USTR para taxar o Brasil, principalmente pelos motivos alegados pelos EUA de que o Brasil tem práticas comerciais consideradas "injustas" ou "discriminatórias."

Listando cada um dos motivos, a entidade afirma que isso causa “incerteza para o comércio bilateral e para as empresas inseridas nas cadeias produtivas entre Brasil e Estados Unidos.”

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Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.