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O homem que saiu do emprego para cuidar da mãe com Alzheimer e fez casa de repouso na Tailândia

Conheça a trajetória de Martin Woodtli, que transformou a experiência pessoal de cuidar da mãe em um modelo alternativo de moradia para idosos com demência

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Imagem meramente ilustrativa • Pixabay;Reprodução

Quando o pai tirou a própria vida, desgastado pela responsabilidade de cuidar da esposa com Alzheimer, Martin Woodtli enfrentou uma escolha. Pesquisar casas de repouso na Suíça revelou instituições caras e com ambiente hospitalar, longe do acolhimento que ele desejava para a mãe.

Foi então que o suíço, formado em serviço social e psicoterapia, decidiu voltar a Chiang Mai, cidade no norte da Tailândia onde havia trabalhado nos anos 1990. A mudança transformou a vida da mãe e deu origem, em 2003, à Baan Kamlangchay, uma instituição de longa permanência que hoje atende cerca de 10 residentes com demência e cobra a partir de R$ 14,9 mil por mês.

Por que a Tailândia e não a Suíça

Martin Woodtli, hoje com 65 anos, se lembrava do respeito pelos idosos enraizado na cultura tailandesa. Chiang Mai já era popular entre estrangeiros e aposentados pelo baixo custo de vida e pelas opções de visto de longa duração.

A cidade oferecia uma comunidade estrangeira considerável e condições que poderiam proporcionar melhor qualidade de vida à mãe. A decisão foi tomada com tranquilidade, segundo Woodtli: se funcionasse, ótimo; caso contrário, voltariam após duas semanas de férias.

A transformação da mãe e o nascimento da ideia

A mudança fez grande diferença. A mãe de Woodtli deixou de ser introvertida e desenvolveu um jeito próprio de se comunicar. Antes isolada por medo de não conseguir se expressar bem em grupo, ela ganhou nova vitalidade.

"Minha mãe costumava ser muito isolada porque tinha medo de dizer algo, especialmente em grupo, pois percebia que não conseguia mais se expressar tão bem", relata Woodtli.

Ao perceber o impacto positivo na vida da mãe, ele decidiu ajudar outras pessoas em situação parecida. A Baan Kamlangchay foi fundada com a herança deixada pelo pai.

Como funciona o modelo de moradia distribuída

A Baan Kamlangchay opera de forma diferente das instituições tradicionais. Os cerca de 10 hóspedes não vivem em um único prédio: estão distribuídos em oito casas em um bairro residencial compartilhado com moradores tailandeses locais.

Esse modelo permite que os residentes interajam com pessoas de fora da casa de repouso, criando um convívio mais natural. O próprio Woodtli mora em uma casa na vila com a família.

A instituição funciona como empresa registrada na Tailândia e conta com cerca de 50 colaboradores, incluindo zeladores, cozinheiros e funcionários de apoio. Não há equipe médica no local; os residentes recorrem a profissionais de saúde locais quando necessário.

O que torna o cuidado personalizado possível

Cada hóspede tem uma equipe fixa de três cuidadores que se revezam em turnos e ficam com ele durante todo o dia. À noite, um deles dorme no mesmo quarto.

"O relacionamento é muito importante porque vai muito além do que acontece em um centro de cuidados, onde você apenas cumpre sua função e passa de uma pessoa para outra", explica Woodtli. "Aqui, os cuidadores são muito próximos de cada hóspede."

Essa proximidade contínua permite que os cuidadores compreendam profundamente as necessidades e preferências de cada residente, criando vínculos que vão além da assistência funcional.

A rotina diária e a integração comunitária

Ao longo do dia, os hóspedes circulam entre suas casas e espaços compartilhados, sempre acompanhados de seus cuidadores. A estrutura inclui uma área de refeições comunitária e um centro de atividades com piscina.

As refeições são tipicamente europeias, preparadas por um cozinheiro com experiência em hotéis. Woodtli também gerencia um pequeno mercado onde os hóspedes podem comprar itens do dia a dia e interagir com moradores locais, mantendo um senso de independência.

Muitos hóspedes permanecem por anos, geralmente até o fim da vida, como aconteceu com a própria mãe de Woodtli, que morou no local até falecer em 2006.

Como a instituição ganhou visibilidade internacional

A Baan Kamlangchay atraiu atenção internacional depois que um cineasta suíço produziu um documentário sobre a jornada de Woodtli e sua mãe. A produção despertou o interesse de famílias da Suíça e da Alemanha.

O modelo foge do padrão institucional tradicional encontrado na Europa, oferecendo uma alternativa que combina cuidado profissional com ambiente doméstico e integração à vida local.

Woodtli pensa na experiência oferecida de forma especial: "Eu penso nisso, na verdade, como as últimas férias deles", disse ele.

Valores e estrutura de custos

Os planos custam a partir de US$ 2,9 mil (R$ 14,9 mil) por mês. O valor inclui hospedagem, cuidados 24 horas por dia e refeições.

A instituição opera com cerca de 50 colaboradores distribuídos entre zeladores, cozinheiros e outros funcionários de apoio. A estrutura é mantida pela administração de Woodtli e sua esposa tailandesa.

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