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Tarifaço: Lula e Flávio trocam provocações e assunto ganha centralidade em pré-campanha

Assunto tornou-se central na pré-campanha presidencial e decisão dos EUA de quando executar a tarifa pode influenciar na opinião do eleitorado para um dos dois lados, avaliam as campanhas

PorBrasília
Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva
Tarifaço é assunto central na campanha de Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva • Saulo Cruz/Agência Senado e Ricardo Stuckert / PR.

A disputa em torno do tarifaço que os Estados Unidos (EUA) quer aplicar sobre produtos brasileiros ganhou o centro da pré-campanha presidencial no Brasil. De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusa o senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de praticar “atitude de traidor da pátria”. Do outro, Flávio afirma que o governo tenta transformar o impasse comercial em um ativo político para a eleição de outubro.

O embate teve início após Flávio enviar uma carta ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). No documento, o senador pede que a tarifa de 25% seja suspensa por 180 dias, período compatível com o fim das eleições, com o argumento de que a medida, se entrar em vigor agora, dará ao governo Lula uma "vitória política".

Em publicação nas redes sociais, Flávio voltou a defender o adiamento das tarifas. Segundo ele, o presidente "é o único que quer o tarifaço" e tenta transformar uma possível punição às empresas brasileiras em uma narrativa de defesa da soberania nacional. 

Fez isso acreditando que pode transformar as possibilidades possíveis às empresas brasileiras em uma falsa narrativa de “defesa da soberania”. Lula está se lixando para o Brasil. Faça qualquer coisa para tentar se reeleger”, acusou o senador nas redes sociais.

O senador também afirmou que continuará defendendo o PIX e que trabalha para evitar a taxação dos produtos brasileiros e combater o tráfico.

Eu luto contra os narcoterroristas, trabalho de verdade contra as tarifas e vou defender sempre o nosso Pix, criado no governo Bolsonaro. O Pix é brasileiro, sem taxa, e ninguém mexe”. 

Lula reagiu às declarações e classificou a iniciativa como uma tentativa de submeter o Brasil aos interesses norte-americanos. Também pelas redes sociais, lembrou que a família Bolsonaro defendeu publicamente o tarifaço, afirmou que "o Brasil não está à venda", acusou Flávio de "entreguismo" e criticou a proposta de adiar a tarifa para depois das eleições.

"Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois", afirmou o presidente. 

Sobre o PIX, o presidente afirmou que "é uma conquista do Brasil" e disse que o país não abrirá mão do sistema de pagamentos.

A troca de ataques ocorre dias antes de Flávio Bolsonaro participar de uma audiência pública da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos, em Washington. O senador integra a lista de convidados para discutir a investigação comercial aberta pelos norte-americanos contra o Brasil por considerarem que o país pratica relações de comércio “desleais” com o país.  

Campanhas

De acordo com o G1, nos bastidores das campanhas, o tema já é tratado como um dos principais eixos da disputa presidencial. Enquanto o governo busca associar a oposição ao agravamento da crise comercial, aliados de Flávio avaliam que um eventual tarifaço fortalece o discurso de Lula e, por meio da diplomacia, tentam convencer os Estados Unidos a adiar qualquer decisão para depois das eleições.

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Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.