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Veredito do caso Air France deve ser divulgado nesta quinta-feira (21) após 16 anos

Decisão da Justiça francesa pode redefinir responsabilidades da Air France e da Airbus pela tragédia de 2009

Caso ocorreu em 2009, entre Rio de Janeiro e Paris • Aeronáutica / Divulgação

O veredito sobre o novo julgamento do desastre aéreo do voo AF447, da Air France, deve ser anunciado nesta quinta-feira (21), quase 17 anos após a tragédia que matou 228 pessoas durante a rota entre Rio de Janeiro e Paris. O caso voltou à Justiça francesa após recurso do Ministério Público contra a absolvição da Air France e da Airbus em primeira instância, em 2023.

O julgamento em apelação reacendeu o debate sobre as responsabilidades pelo acidente ocorrido em 1º de junho de 2009, considerado o pior desastre aéreo da história da aviação francesa. A decisão será divulgada pelo Tribunal de Apelação de Paris e é aguardada com expectativa por familiares das vítimas, que há anos pressionam por responsabilização criminal das empresas.

Na época do acidente, o Airbus A330 desapareceu sobre o Oceano Atlântico após enfrentar uma área de forte turbulência. Investigações apontaram que o congelamento das sondas Pitot, responsáveis pela medição da velocidade da aeronave, provocou falhas de leitura que contribuíram para a perda de controle do avião. Os investigadores franceses também concluíram que houve dificuldades da tripulação em reagir à situação de emergência.

Apesar disso, o processo judicial também analisou possíveis falhas da Air France e da Airbus relacionadas ao histórico de problemas técnicos nos sensores de velocidade e aos protocolos de treinamento dos pilotos. Em 2023, a Justiça francesa reconheceu que houve “negligências” das empresas, mas considerou que não existia ligação causal suficiente para condenação por homicídio culposo.

O novo julgamento foi aberto após recurso dos promotores franceses, que defendem a condenação das companhias. Durante as audiências, familiares das vítimas argumentaram que a tragédia poderia ter sido evitada caso medidas de segurança mais rígidas tivessem sido adotadas antes do acidente.

O voo AF447 transportava passageiros de 33 nacionalidades, incluindo 58 brasileiros e 72 franceses. As caixas-pretas da aeronave só foram localizadas quase dois anos depois, a cerca de 4 mil metros de profundidade no Atlântico.