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‘Sem base jurídica’, diz atual presidente de Cuba sobre acusações dos EUA contra Raúl Castro

Miguel Díaz-Canel classificou o indiciamento do ex-presidente cubano como uma ação política e afirmou que Cuba agiu em legítima defesa na queda de aviões em 1996

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Miguel Díaz-Canel, presidente de Cuba. • Cuba TV | AFP

O atual presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, reagiu com críticas ao indiciamento do ex-presidente Raúl Castro pelos Estados Unidos e classificou a medida como uma iniciativa política destinada a aumentar a pressão sobre o governo cubano.

Em publicação nas redes sociais nesta quarta-feira (20), Díaz-Canel afirmou que o processo não possui fundamento jurídico e teria como objetivo construir justificativas para ações mais duras contra a ilha.

Segundo o presidente cubano, o episódio que originou as acusações ocorreu dentro do exercício da soberania nacional. O posicionamento foi uma resposta direta ao anúncio do governo americano de que Raúl Castro foi formalmente acusado por assassinato, conspiração para matar cidadãos americanos e destruição de aeronave pela derrubada de dois aviões civis em 1996. Na época, Raúl era ministro da Defesa de Cuba.

Confira a publicação de Miguel Díaz-Canel:

Na manifestação pública, Díaz-Canel sustentou que Cuba teria atuado em legítima defesa dentro de suas águas jurisdicionais. A interpretação cubana diverge da versão defendida há décadas pelos Estados Unidos e por integrantes da comunidade cubana exilada, que afirmam que as aeronaves abatidas estavam em espaço internacional.

O caso envolve a organização “Hermanos al Rescate”, grupo formado por opositores do governo cubano e que realizava missões relacionadas ao auxílio de migrantes que tentavam deixar a ilha. Em 24 de fevereiro de 1996, dois aviões da organização foram interceptados e destruídos por aeronaves militares cubanas. Na ocasião, quatro pessoas morreram e uma terceira aeronave conseguiu escapar.

Acusação ocorre em meio à escalada de pressão americana

A resposta de Díaz-Canel aconteceu horas depois de novas declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Em mensagem direcionada aos cubanos, Rubio afirmou que o governo Trump estaria disposto a estabelecer uma nova relação com a população da ilha, mas não com sua atual liderança política.

Durante o pronunciamento, o secretário acusou os dirigentes cubanos de desvio de recursos, corrupção e enriquecimento enquanto o país enfrenta uma das piores crises econômicas de sua história recente.

Rubio também afirmou que o grupo empresarial Gaesa, ligado às Forças Armadas cubanas e associado historicamente ao período de influência de Raúl Castro, concentra receitas superiores ao orçamento estatal. Além disso, reafirmou uma proposta americana de envio de ajuda humanitária de US$100 milhões em alimentos e medicamentos.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.