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Trump e Netanyahu divergem sobre ofensiva contra o Irã após suspensão de ataques

Presidente dos EUA aposta em negociações diplomáticas, enquanto premiê israelense pressiona pela retomada imediata da ação militar

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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump • Foto por KENT NISHIMURA / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tiveram uma conversa tensa na terça-feira (19), marcada por divergências sobre os rumos da guerra contra o Irã, segundo uma autoridade americana ouvida pela CNN.

De acordo com a fonte, os dois líderes já haviam conversado no domingo (17), quando Trump indicou que pretendia autorizar uma nova ofensiva contra o Irã no início da semana. A operação, segundo a emissora, receberia o nome de “Operação Martelo”.

No entanto, cerca de 24 horas após a conversa, Trump anunciou a suspensão dos ataques planejados para terça-feira, atendendo a pedidos de aliados do Golfo, entre eles Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Nos dias seguintes, países do Golfo mantiveram contato com mediadores da Casa Branca e do Paquistão para construir uma estrutura de negociações diplomáticas com Teerã, segundo autoridades americanas e fontes próximas às tratativas.

“Estamos na reta final das negociações com o Irã. Vamos ver o que acontece”, afirmou Trump a jornalistas nesta quarta-feira (20). “Ou teremos um acordo ou faremos algumas coisas um pouco desagradáveis. Mas espero que isso não aconteça”, acrescentou.

A tentativa de negociação, porém, provocou irritação em Netanyahu, que defende uma postura mais agressiva contra o regime iraniano. Segundo autoridades americanas e fontes israelenses, o premiê avalia que o adiamento dos ataques favorece Teerã.

Ainda de acordo com uma autoridade dos EUA, Netanyahu expressou diretamente a Trump sua insatisfação durante a conversa de terça-feira, afirmando que o adiamento da ofensiva era um erro e defendendo a retomada imediata da ação militar.

Uma fonte israelense familiarizada com o diálogo afirmou que, durante a ligação de aproximadamente uma hora, Netanyahu pressionou pelo reinício dos ataques. Enquanto Trump buscava abrir espaço para um acordo diplomático, o governo israelense defendia uma resposta militar mais dura.

A tensão também se refletiu entre integrantes próximos ao premiê israelense. Segundo outra fonte ouvida pela CNN, há crescente frustração dentro do alto escalão israelense com a postura de Trump, acusado por aliados de Netanyahu de permitir sucessivos atrasos diplomáticos por parte do Irã.

Apesar disso, autoridades americanas afirmam que as divergências entre Washington e Tel Aviv sobre os objetivos da guerra não são inéditas. Integrantes do governo dos EUA já reconheceram anteriormente diferenças estratégicas entre os dois países em relação ao conflito.

Questionado nesta quarta-feira sobre o conteúdo da conversa com Netanyahu, Trump indicou que continua conduzindo pessoalmente as negociações e decisões sobre a crise.

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